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Saúde na lama

Saúde na lama

Uma piscina ao ar livre tem atraído a atenção de quem passa pela praia do Centro, em Peruíbe, onde foi montada no espaço denominado Demonstrativo dos Usos da Lama Negra. O banho é gratuito, mas, ao invés de água, o visitante se depara com um conteúdo escuro e grosso. Pouco atrativo, é verdade, até que se saiba que é um produto natural com propriedades terapêuticas e estéticas.

Texto e fotos Flávio Souza

Encontrada na margem esquerda do Rio Preto, a argila marinha tem sido pesquisada e analisada há vários anos em renomados laboratórios de pesquisas do país. A conclusão é de que suas características são semelhantes às encontradas no Mar Morto, no Oriente Médio.

Para chamar a atenção para as qualidades deste tesouro ainda pouco conhecido, a responsável pela extração do produto, a empresa Prodep Desenvolvimento SA, contratada pela prefeitura local, teve a ideia de oferecê-la gratuitamente na praia do Centro. O resultado superou expectativas, uma vez que, só na primeira semana de instalação, mais de 600 pessoas fizeram uso da piscina que funcionará até a semana do Carnaval.

O estudante peruibense César Augusto de Jesus Menezes mergulhou e aprovou. “Entrei por razões estéticas, quero ver se minha pele fica mais bonita. Planejo vir outras vezes para sentir os benefícios”. Também a operadora de telemarketing Fernanda Claudia Silva Lima de Matos, de São Paulo, ficou entusiasmada com os benefícios do produto. “Ouvi falar que é muito boa, e estou gostando desse primeiro banho na piscina. Acho que vou me render a ela, vindo diariamente aqui”.

Vantagens comprovadas

Dr. Paulo Flávio de Macedo Gouvêa, médico responsável pelo projeto, explica que a aplicação do produto no corpo promove uma limpeza profunda. “A lama negra purifica, pois leva das nossas células o que não está bom, e ainda traz oxigênio e nutrientes. Mas não adianta entrar na piscina uma vez e querer ver resultados na hora. Para sentir os benefícios, é necessário seguir um tratamento”.

O médico atende no Lamário Municipal e afirma que, nos últimos dez anos, cerca de 15 mil pessoas foram tratadas com a lama com bons resultados em quase 100% dos casos. No entanto, ele adverte que o produto não deve ser visto como único tratamento. Diz: “A lama deve ser aplicada como terapia complementar de doenças crônicas, especialmente nas áreas de ortopedia (artrites, artroses, sequelas reumáticas e dores osteofíticas), dermatologia (psoríases, cloasmas, parasitoses, cicatrizes e queimaduras), venologia (problemas no sangue) e medicina interna (para estímulo dos órgãos intra-abdominais)”.

Nos últimos dez anos, cerca de 15 mil pessoas foram tratadas com a lama negra de Peruíbe

Garante, ainda, que a lama negra também é indicada para tratar problemas emocionais (estresse e ansiedade) e estéticos (manchas, rugas, acnes, pele oleosa e envelhecimento precoce). “O uso diário da lama negra previne uma série de complicações, promove a cicatrização da pele e limpa infecções, além de ser uma atividade muito relaxante”.

Para cada caso é indicado um tipo de tratamento. “Quando uma pessoa chega até nós, ela passa por uma avaliação clínica para que possamos identificar o problema e tratá-la da melhor forma possível. Para processos inflamatórios crônicos, por exemplo, usamos a lama quente. Em processos agudos ou grande área corporal, usamos o produto frio. Já para psoríases, é utilizada uma camada bem fina da lama”, explica o médico.

As aplicações são gratuitas, com exceção das faciais, em que é cobrado o preço simbólico de R$ 2,00. Produtos à base de lama negra, como sabonetes, cremes hidratantes, xampus, condicionadores e a própria lama em saquinhos também podem ser comprados no local. No Lamário também são realizadas pesquisas científicas com o produto e treinamento de pessoal para atendimento na área de termalismo.

Serviço: o Lamário fica no Complexo Thermal da Lama Negra, junto ao Aquário Municipal, na Avenida Mário Covas Júnior, 204, no Centro. Telefone: (13) 3455 2463.

Passo a passo

Após a extração da argila na jazida, é feito um processamento para limpar, descontaminar e maturar, para que o produto fique apto a ser utilizado no Lamário. De acordo com Ricardo Kalluan, assessor do projeto Lama Negra, primeiramente é feita a limpeza dos macro-organismos. Em seguida, a lama bruta é armazenada em grandes vasilhas contendo água do mar, retirada a dois quilômetros da costa. Essa junção com água marinha faz a limpeza microscópica do produto. Por fim, a lama já diluída vai para cochos para maturar. Após dois dias, ela está pronta para uso. De cor escura e cheiro de enxofre, a lama negra é rica em silício, alumínio, minerais, vitaminas, hormônios, flora bacteriana e sulfídrico.

 


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