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Inovação tecnológica para alavancar exportações de açúcar

O Brasil é o maior produtor de açúcar de cana do mundo e também o maior exportador. Cerca de 70% da produção nacional é escoada pelo porto de Santos. Na carroceria do caminhão ou no vagão da locomotiva, o grão segue pelas esteiras transportadoras até chegar aos porões do navio; uma operação complexa e contínua durante o período de safra, que vai de abril a outubro.

Luciana Soleto

Inovação tecnológica para alavancar exportação de açucar

Equipamentos de ponta aceleram essa engrenagem que só para por um único motivo: a chuva. Isso mesmo, o fenômeno da natureza aparentemente inofensivo é capaz de paralisar por completo as atividades. A interrupção acontece pelo mundo afora, mas a Rumo Logística, braço da empresa sucroalcooleira Cosan, maior player logística em exportação de açúcar e grãos, pretende mudar essa realidade em Santos, com o lançamento de um projeto inédito no país.

A ideia é cobrir os berços de atracação de seus terminais no porto de Santos com uma estrutura metálica. Com a iniciativa, será possível fazer o embarque da commodity até mesmo em dias de tempestade, sem molhar o produto e, consequentemente, comprometer sua qualidade.

As coberturas estão sendo montadas em um local fora do cais e têm previsão de chegar ao terminal em fevereiro do próximo ano, garante o presidente da Rumo, Julio Fontana. “No momento, estamos fazendo as fundações das estruturas metálicas. Por enquanto, a obra será realizada apenas no terminal sul da Rumo, o que corresponde a um berço de atracação”, explica.

O projeto pioneiro inclui dois tipos de estrutura: uma fixa e outra móvel. A primeira cobrirá o berço do terminal sul, com dimensões de 217 metros de comprimento e 65 metros de altura, suportando inclinação de chuvas a 41 graus. Ela será revestida com uma membrana que captará águas de reuso, posteriormente, utilizadas para lavagem das esteiras e do shiploader. “A cobertura foi desenhada para atender as maiores embarcações existentes, como os navios Panamax e Cape Size, que transportam de 80 até 120 mil toneladas”, afirma Fontana.

Com previsão de chegada ao terminal em fevereiro do próximo ano, coberturas terão capacidade para atender grandes embarcações

Além desta estrutura, a Rumo implementará no terminal norte outro tipo de cobertura, chamada de ‘Ecoloading’, que consiste num tecido especial retrátil. Ela será acionada em dias de chuva, possibilitando o embarque de açúcar a granel.

A tecnologia contará com uma estrutura de 22 m x 19 m e peso aproximado de 4 mil toneladas. De acordo com a empresa, a proteção será acionada por meio de cabos tensionadores e um sistema de insuflamento automatizado, que manterá o tecido esticado, capaz de suportar ventos de até 72 km/h e chuvas sem limites de inclinação, já que a cobertura envolverá todo o porão do navio.

Com investimentos da ordem de R$ 60 milhões, estas obras integrarão uma completa revitalização das instalações portuárias da companhia, o que resultará numa ampliação da capacidade de estoques e consequente melhora na qualidade de vida de todos os que precisam utilizar o local.

Vantagens

Segundo o presidente da Rumo Logística, a previsão de conclusão da cobertura metálica é até o final de 2012, e foi motivada pela necessidade de encontrar uma solução para operar em dias de mau tempo. “O cálculo que temos é que perdemos aproximadamente 120 dias por ano devido a este problema. Com a conclusão do projeto da cobertura e das demais obras, que totalizam o investimento de R$ 200 milhões, a Rumo poderá ampliar a capacidade de armazenamento e o fluxo de produtos no local. A previsão é que a elevação passe das atuais 12 milhões por ano para aproximadamente 18 milhões de toneladas/ano”.

Julio Fontana afirma que, com a conclusão do projeto da cobertura e das demais obras, a Rumo poderá ampliar a capacidade de armazenamento e o fluxo de produtos no local

Outra vantagem é tornar o porto de Santos mais competitivo, além de referência positiva em inovação e eficiência. Afinal, é importante ressaltar que, no ano passado, as operações de açúcar foram paralisadas em cerca de 100 dias por conta da chuva, provocando filas de mais de 50 navios na Barra de Santos. Com as coberturas, a expectativa é que não haja mais atrasos nas operações, além de aumentar as exportações e reduzir os congestionamentos de caminhões.

 


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