“Garrafa, jornal velho, garrafa, jornal velho!”. Antigamente, o carrinheiro que passava na porta de casa gritava desse jeito. Mas isso era antigamente. Hoje, ninguém mais vai à padaria com a garrafa velha, o popular ‘casco’. Vivemos a cultura que trocou o retornável pelo descartável. E, obviamente, não há como dar conta de toda a demanda diante de tanto desperdício. É preciso equilibrar as coisas, é preciso sustentabilidade. Essa palavra, que não existia antigamente, agora está presente por todo o lado. Isso é bom, demonstra que estamos acordando para um padrão de vida insustentável, mas (e sempre há um ‘mas’), por ser repetida e usada sem qualquer critério, corre o risco de confundir, de nos fazer comprar gato por lebre. Por isso mesmo, aqui neste espaço, todos os meses vamos falar um pouquinho desse novo e curioso mundo”.
Marcus Neves Fernandes
Sustentabilidade significa, de forma bem objetiva, garantir que o nosso padrão de vida não comprometa a qualidade de vida das futuras gerações. Sim, pois é isso que muitos acreditam que estejamos fazendo. O problema é que toda e qualquer mudança nesse sentido mexe sensivelmente com o que outros tantos acreditam ser um direito. Você suou, trabalhou, se esforçou e agora que pode comprar aquele lindo carro novo vem um sujeito e lhe faz um discurso sobre os impactos negativos que os veículos causam ao Planeta. Pronto, estragou seu dia. E pior é quando a reprimenda vem de casa, dos filhos, indignados porque você comprou um enorme beberrão de gasolina. “Nem flex é”, acusa o garoto. Em muitas famílias, ai dos pais que não reciclarem o lixo ou que tiverem a ousadia de jogar uma latinha no lixo comum. Vão levar um sermão.
As coisas, porém, não são assim tão dramáticas. Os mais experientes não são irresponsáveis, nem os mais jovens, os donos da verdade. Para alguns pesquisadores, o modo de vida que a maioria das pessoas pratica é fruto de um plano bem arquitetado. Um plano que responderia pelo nome de “obsolescência programada”.
Funciona assim: eu produzo um determinado produto, preciso vendê-lo e, de preferência, a maior quantidade possível. Afinal, quanto mais produzo, mais reduzo meus custos de produção e mais lucro obtenho. O ideal, portanto, é que meu produto seja valorizado, mas que não dure muito. Comprar é preciso e você, cidadão, agora é um consumidor.
Talvez, o que precisemos fazer é voltar a ser cidadãos. E quando penso em sustentabilidade, gosto de uma frase do ecologista Joern Fischer. Para ele, o que “é certo” é menos relevante do que aquilo que “é sábio”. Em outras palavras, ao longo dos últimos séculos produzimos muito conhecimento. Agora é hora de produzir sabedoria.
É preciso produzir com consciência e consumir com responsabilidade. É uma equação difícil, mas teremos que aprendê-la. Com o tempo, mesmo os hábitos há muito arraigados podem ser mudados, principalmente quando se demonstra que é para melhor. É uma questão de princípios. Da mesma forma que roubar ou mentir. Quanto mais se preza um valor, mais ele se torna ação. Sustentabilidade, acima de tudo, é começar a agir.
Comprar um carro não precisa ser algo necessariamente ruim. Só que, enquanto o consumidor apenas compra o carro, o cidadão procura escolher o menos poluidor, aquele cuja fábrica apoia projetos sociais, que investe em tecnologias de baixo impacto ambiental. Em outras palavras, o ato de consumir conscientemente tende a fazer com que as empresas mudem, modernizem-se, tornem-se mais justas. Todos ganham, se todos assim se comportarem.
Quem diria…
Falar em sustentabilidade é também falar em novas tecnologias, novos modos de aproveitar muito daquilo que ainda teimamos em ver como mero lixo. É o caso dos jornais velhos. Que serventia teriam? Pois um grupo de pesquisadores descobriu uma forma de transformá-los em butanol, um combustível similar ao etanol, só que 30% energético. Pode ser usado nos atuais motores à gasolina ou álcool e é menos corrosivo que ambos. O estudo foi elaborado nos Estados Unidos, mas cientistas brasileiros também desenvolveram um processo similar, usando bactérias que degradam a celulose do papel e geram o butanol. Esse é um bom exemplo de sustentabilidade. Um ciclo fechado, onde o que iria ser desperdiçado, ganha nova e importante utilidade.
Uma história de compromisso com a preservação ambiental
TDX, Tranfex e Fafex. Notou o uso recorrente do X? É proposital, pois a letra representa o nome do fundador de uma empresa que tem compromisso com o meio ambiente: Benedito Xavier Pereira, diretor do grupo Fafex.
A história da empresa começou em 1992, quando o visionário empresário viu um nicho de mercado no serviço de transporte especializado de carga contaminante. Então fundou a TDX, voltada para o transporte de produtos sólidos, líquidos e a granel. “Naquela época os lixões começavam a dar lugar aos aterros sanitários, e eu percebi a carência de empresas especializadas para atuar em parceria com este novo modelo de tratamento de resíduos sólidos”.
A ideia deu certo e, em 2001, surgiu a Tranfex, agora especializada em líquidos e sólidos. Cinco anos depois, em 2006, o empresário resolveu incluir os filhos Fabíola e Fernando na empresa. Nascia a moderna Fafex, referência em qualidade quando o assunto é coleta e transporte de líquidos percolados, em harmonia com o meio ambiente. “Nesta área, qualidade não se compra, adquire-se por meio de consciência ambiental. É preciso o envolvimento de todos, do gari ao presidente. Eu estou lutando para que toda a cadeia produtiva esteja envolvida nesse processo”, diz Xavier citando a lei de resíduos (Lei Estadual nº 997/76 – Decreto 8468/76 – artigo 19A).
Um exemplo de compromisso com o meio ambiente, citado por Xavier, é a atuação da empresa Brasil Terminal Portuário, com a recuperação da área conhecida como antigo lixão da Alemoa, onde está sendo construído o terminal portuário da empresa. Do local, está sendo retirado cerca de 600 mil m3 de resíduos e detritos contaminados. “Este foi o projeto que mais me encantou aqui na Baixada. Temos orgulho de fazer parte deste trabalho. Todos os líquidos contaminantes estão sendo transportados por nossa empresa para tratamento biológico na estação de tratamento da Sabesp, EEE Piqueri.”

