Com cerca de 150 mil visitantes a cada final de semana, o Marché aux Puces de Paris (Mercado das Pulgas) é considerado o maior mercado de antiguidades do mundo. Ele atrai turistas do mundo inteiro e, cada vez mais, os brasileiros estão descobrindo os tesouros ali escondidos, e que têm que ser garimpados com tempo e paciência.
Texto e fotos: Renata Inforzato
Apesar de mais conhecido pela oferta de móveis antigos, é possível se encontrar praticamente de tudo no local.
O Mercado das Pulgas é antiga atração de Paris; data de mais de 100 anos. Por volta de 1880 já existiam os “chiffonniers”, homens que percorriam a cidade no meio da noite à procura de objetos jogados no lixo, mas que podiam ser revendidos. Nessa época, algumas leis específicas contra a atividade expulsaram esses homens de Paris, e eles foram se instalar na periferia, na região de Porte de Clignancourt, divisa com o município de Saint Ouen, onde passaram a vender os objetos recolhidos. Em pouco tempo, os parisienses descobriram o mercado paralelo e passaram a frequentar o lugar em busca de mercadorias boas e baratas. Nascia o Mercado das Pulgas.
Na década de 1920, Romain Vernaison, rico proprietário de terras, comprou um terreno no local, compreendido entre a Avenida Michelet, a Rua des Rosiers e a Rua Voltaire. Em uma área de 9000 m2, construiu barracas para alugar aos comerciantes de antiguidades e artesãos. Era a primeira tentativa de organizar o mercado como o conhecemos hoje. O Marché Vernaison ainda funciona da mesma maneira de 90 anos atrás e, nele, praticamente encontramos de tudo, numa organização bagunçada: pequenas lojas com as mercadorias displicentemente espalhadas ao redor. Há lojas de talheres de prata, outras especializadas em relógios, de jóias, de chapéus e medalhas militares, de brinquedos do início do século XX, de bibelôs e, claro, de móveis antigos. Mas é impossível enumerar tudo o que é vendido ali. Uma das lojas mais curiosas é a do Eli, chamada The Duke. Eli é colecionador de roupas e objetos masculinos dos anos 1950 e, há trinta anos, resolveu colocar parte da sua coleção à venda. Os objetos e roupas nunca foram usados, e os preços são bem acessíveis.
O Mercado das Pulgas é, na verdade, composto por vários mercados, ou seja, várias galerias com pequenas lojas. Após o Vernaison, outros surgiram, como o Marché Dauphine, inaugurado em 1991; está instalado em uma construção de 6 mil metros quadrados com inspiração nos anos 1930, em estilo art nouveau. A galeria em si já é um passeio fascinante, mas percorrer suas 180 lojas é algo único. No térreo, há de tudo: móveis antigos e até miçangas e botões. Já no andar superior, encontramos principalmente roupas; há casacos bem conservados, daqueles que duram a vida inteira, por 80 euros, e que parecem nunca ter sido usados; livros, alguns raríssimos, LPS e vitrolas.
Há também o Marché Biron, com as antiguidades mais luxuosas do Mercado das Pulgas, não à toa chamado de Saint Honoré des Puces – uma referência à Rua Saint Honoré, uma das mais chiques de Paris. Passear pela galeria Biron é como ir a um museu, e a beleza dos objetos é de tirar o fôlego. Muitos deles são emprestados a museus e exposições antes de ser vendidos, tal a importância das mercadorias. O Marché Malassis também vende móveis e quadros antigos; é especializado em arte oriental.
Se o interesse são roupas, os principais mercados são o Malik e o Michelet, esse último instalado ao longo da Avenida Michelet. A estrutura desses dois marchés lembra a dos camelôs no Brasil, e isso pode ser um tanto decepcionante para alguns. Claro que também há muitas mercadorias de procedência duvidosa mas, garimpando com paciência, podemos encontrar roupas e acessórios interessantes.
Além dos mercados citados acima, o Marché aux Puces é composto por vários outros. Ao todo são 13 marchés – galerias com lojistas ou “barracas”, mas outras ruas da região também possuem lojas com antiguidades, roupas e artesanato. No escritório de turismo de Saint Ouen (nome da cidade onde fica o mercado) está disponível o mapa do local, com propostas de visitas guiadas, como visitas para os amantes da música, por exemplo. A estrutura da região é muito boa, com toaletes limpos em ruas e restaurantes. Vale a pena reservar um dia para o Marché aux Puces, conhecer uma Paris diferente e comprar ali a lembrança da sua viagem.
Marché Biron
O mais organizado de todos, tem até um posto de turismo próprio; é especializado em móveis e objetos antigos, sobretudo dos séculos XVIII, XIX e XX. Rua des Rosiers, 85. Também possui uma entrada pela Avenida Michelet.
Marché Cambo
Também oferece móveis e objetos dos séculos XVII ao XX, com preços mais acessíveis. Rua des Rosiers (sem número).
Marché l’Entrepôt
Antiguidades curiosas como quiosques de jardins, estantes, escadas etc. Rua des Rosiers, 88.
Marché Malassis
Há muitos móveis antigos restaurados, mas o destaque é a arte oriental. Rua des Rosiers, 142.
Marché Dauphine
Há de tudo, mas muito bem organizado. A galeria em si é linda e vale a visita. Há lojas desde botões e miçangas, passando por móveis, roupas e até livros, fotografias, postais e discos antigos. Rua des Rosiers, 140.
Marché Jules Vallès
De antiguidades a objetos militares. É muito procurado por profissionais de decoração. Rua Jules Vallès, 9.
Marché le Passage
Mercadorias variadas, além de antiguidades. Há uma infinidade de bibelôs de várias épocas. Rua Lécuyer, 27.
Marché Malik
Especializado em roupas; atenção para mercadorias falsificadas. Rua Jules Vallès, 7.
Marché Michelet
Camelôs ficam na calçada da Avenida Michelet onde é possível garimpar alguma coisa interessante. Avenida Michelet.
Marché Paul Bert
Charmoso, com 220 lojas em sete alas, que vendem mobiliário e objetos antigos e contemporâneos. Rua des Rosiers, 96.
Marché Serpette
Mercadorias de luxo, como móveis dos séculos XIX e XX, além de quadros antigos e modernos. Rua des Rosiers, 110.
Marché Vernaison
Ideal para encontrar raridades, mas muitas mercadorias são vendidas a l’état, ou seja, sem restauração. Também há artistas que vendem suas criações no local. Rua des Rosiers, 99.


