Uma curiosidade sobre Bruxelas é que ela também é conhecida como a cidade das histórias em quadrinhos. O célebre herói Tintin nasceu na região, assim como os Smurfs, cujo nome em francês é quase impronunciável – Les Schtroumpfs. Ao andar pela cidade, nos deparamos com as fachadas ou laterais das construções desenhadas ao estilo das histórias em quadrinhos.
Por Renata Inforzato

Arco do Triunfo de Bruxelas, construído para comemorar os 50 anos da independência da Bélgica (1830)
Na cidade fica o maior museu do gênero, o Centre Belge de Bande Dessinée (Centro Belga de Histórias em Quadrinhos), na Rue des Sables, nº 20. A visita é um paraíso para crianças e adultos que, nos seus quatro andares, podem encontrar de tudo sobre as histórias em quadrinhos, desde o processo de criação, até os mais famosos quadrinhos belgas. Criado em 1989, é altamente interativo, com exposições permanentes, inclusive sobre as primeiras tirinhas publicadas na Bélgica, e exposições temporárias. Além disso, funciona ali um importante centro de pesquisa, cujo catálogo é também disponível online. No térreo, uma grande livraria é a tentação dos amantes da arte.
A Bélgica, país com pouco mais de 10 milhões de habitantes, fronteira entre a Europa Germânica e a Latina, possui três línguas oficiais: neerlandês, cuja variante falada na Bélgica se chama flamengo, o alemão, usado por uma pequena parte da população, e o francês, mais no Sul do país. Em Bruxelas, as duas principais línguas, a flamenga e a francesa, são usadas em todos os lugares públicos.
Manneken-Pis
A fonte, na qual um menino faz xixi, é o maior símbolo de Bruxelas, tanto que aparece em toda parte, até em embalagens de chocolates. Inúmeras lendas são atribuídas ao local, como a mais famosa, que fala sobre um rico burguês que havia perdido seu filho único no meio da multidão durante uma das festas da cidade. Cinco dias depois, ele o encontra fazendo xixi em uma das esquinas do lugar, na rue de L’Étuve, onde hoje está a estátua-fonte. Verdade ou não, a fonte foi esculpida em bronze pelo artista Jérôme Dusquenoy, em 1619. Desde então, ele já foi vestido, em algumas ocasiões,
com inúmeros trajes, sendo o primeiro de 1693. As roupas de Manneken estão expostas no museu da cidade (Musée de la Ville de Bruxelles), mas não podem ser fotografadas. A estátua do Manneken-Pis é um dos pontos turísticos mais fotografados de Bruxelas e seu personagem é tão amado pelos belgas que, em 2007, foi símbolo de uma campanha para a conscientização do câncer de próstata.
A Grand-Place
Segundo o célebre escritor Victor Hugo, é a mais linda praça do mundo e situa-se no coração do centro histórico. O que mais surpreende no lugar é a aparente coesão arquitetônica entre estilos e épocas diferentes, formando um conjunto que parece saído de um conto de fadas. No entanto, somente o Hôtel de Ville (prefeitura) construído entre 1402 e 1444, foi poupado dos incêndios causados pelos ataques franceses de 1695. O restante da praça foi reconstruído durante os séculos seguintes.
Além do Hôtel de Ville, que domina o lugar, na praça está situada a Maison du Roi, que data do século XII, mas foi reformada ao longo dos séculos. No lugar, funciona o Musée de La Ville de Bruxelles (Museu da Cidade de Bruxelas), que, conhecido pela sua incomparável coleção de porcelanas, vale a pena ser visitado. Na Grand-Place, também encontramos restaurantes e cafés, que funcionam nas antigas construções do século XVII.
Galeries Saint-Hubert
Construídas em 1846 pelo rei Leopoldo I, as galerias formam um vasto conjunto artístico realizado por Cluysenaer e com estátuas esculpidas por Jacquet. Possuem 212 metros de comprimento, 8 metros de largura e 18 metros de altura. São as mais antigas galerias da Europa que abrigam lojas, restaurantes, cafés, teatros e até um museu, o do Manuscrito, com acesso pelas seguintes ruas: Rue de L’Ecuyer, Rue d’Arenberg, Rue des Bouchers e Rue du Marché aux Herbes.
Cathédrale des Saints Michel et Gudule
Sua origem remonta ao século X, data da fundação de Bruxelas. O edifício atual começou a ser construído por volta do século XII, mas só foi acabado no século XVI, o que explica as sobreposições de estilo. Como quase todas as igrejas europeias, a catedral de Bruxelas é um verdadeiro museu, com destaque para o órgão e os vitrais. Também se pode visitar a cripta romana e o Museu do Tesouro da igreja. Fica na Parvis Saite-Gudule, 1000.
Atomium
Criado em 1958 para a Exposição Universal, esta gigantesca instalação é uma das mais visitadas de Bruxelas. Você pode entrar por suas esferas e tubos, ver a exposição permanente, com a história do monumento, e as temporárias. No último andar, além de uma linda visão de Bruxelas e arredores, um restaurante funciona no local. No térreo, há livraria e lojas de souvenires e chocolates. Fica na Square de l’Atomium.
Miniaturas
Ao lado do Atomium, há uma área com pequenos e charmosos restaurantes, inclusive, um “típico” brasileiro. No local funciona a Mini-
Europa, um parque onde há miniaturas das principais atrações das mais importantes cidades da União Europeia. É possível “visitar” a Torre Eiffel, a Torre de Pisa, o Big Ben e muitas outras maquetes. Ao lado de cada uma, há um quadro com as principais informações sobre o país e um botão para acionar um gravador com o respectivo hino nacional. É um local totalmente interativo: pode-se até derrubar o muro de Berlim, por exemplo.
Guloseimas
A cerveja e o chocolate são outros motivos para visitar Bruxelas. Estima-se que em toda a Bélgica sejam fabricados mais de 450 tipos de cerveja, dos quais se destacam as trapistes, ou seja, a bebida fabricada por monges. Os chocolates, conhecidos como os melhores do mundo, são outra tentação à parte. Praticamente em todas as ruas comerciais há ao menos uma loja onde são vendidos mais de 100 tipos da guloseima. Um prato típico de Bruxelas é o moules frites, mexilhões servidos com fritas
História
Embora na região haja vestígios anteriores ao período romano, considera-se a fundação de Bruxelas durante o século X,
quando o império de Carlos Magno foi dividido entre seus netos. Um deles, Lotário I, construiu, em 979, uma fortaleza que assinala a fundação oficial de Bruxelas. Por ser banhada pelo rio Senne (não confundir com o Sena, que banha Paris) e caminho de uma importante rota comercial entre Brugges e Colônia (esta última na Alemanha), Bruxelas se desenvolveu rapidamente.
Em 1516, Carlos V foi coroado Rei do Império Espanhol na Catedral de Bruxelas. Quatro anos mais tarde, seria coroado, na mesma catedral, Sacro Imperador Romano, tendo um império que compreendia quase toda a Europa Ocidental. Natural da região de Flandres, onde está situada Bruxelas, Carlos V aumentaria ainda mais a importância da cidade, até sua abdicação, em 1555.
Em 1695, Bruxelas foi atacada por ordens do rei francês Luis XIV. Os ataques destruíram quase toda a cidade, cerca de 5000 casas foram incendiadas, incluindo os edifícios medievais da Grand Place, o local mais importante e visitado de Bruxelas. Cem anos depois, em 1795, a Bélgica, cobiçada pelo governo revolucionário francês, foi anexada à França e, unificada administrativamente, Bruxelas sofreu um novo impulso econômico. Com a derrota de Napoleão, em 1815, a Bélgica foi anexada à Holanda, no Reino dos Países Baixos. Isso provocou uma grande revolta por parte dos belgas, que em sua maioria eram católicos e não queriam ser governados por um soberano holandês e protestante.
Assim, em 1830, ocorre a Revolta de Bruxelas e a Bélgica torna-se independente, tendo Leopoldo I como monarca. Nascia também a conhecida neutralidade belga, que seria quebrada nas duas Grandes Guerras, com a invasão alemã ao país. Bruxelas sofreu principalmente durante a Segunda Guerra Mundial, pois foi ocupada pelos alemães de 1940 até 1944, tempo em que o governo belga se instalou em Paris e depois em Londres.
Durante o pós-guerra, Bruxelas, como toda a Bélgica, voltou a crescer economicamente. O país foi dividido em três regiões semiautônomas: Flandres, ao Norte, falante do flamengo, Valônia, ao Sul, de maioria de língua francesa, e Bruxelas, bilíngue. Em 1992, com a criação da União Europeia, Bruxelas se tornou uma de suas capitais, junto com Estrasburgo, na França, e Luxemburgo.





