Por Luciana Soleto
As primeiras mudas de cana-de-açúcar chegaram ao país a bordo de caravelas, na expedição de Martim Afonso de Souza, em 1530. Com solo e clima favoráveis, em pouco tempo, o açúcar se firmou como o principal produto agrícola do país, garantindo base de sustentação para a economia e colonização do Brasil durante os séculos XVI e XVII. Hoje, passados quase quinhentos anos, o mesmo mar que trouxe essa riqueza, impulsiona o produto para todo o mundo, e em quantidades cada vez maiores.

terminais do complexo portuário de Santos possuem tecnologia de ponta com capacidade para embarcar 203 mil toneladas/dia de açucar
De acordo com o último balanço da Codesp, de janeiro a setembro deste ano, já foram embarcadas quase 15 milhões de toneladas do produto. Consolidada como a carga mais movimentada no cais santista, ela segue quebrando recordes. No mês de setembro, por exemplo, foram 2.331.761 toneladas, 22,4% maior que o mesmo período do ano anterior. E os números não param por aí.
Em decorrência da quebra da safra de cana em países produtores, como a Índia, que passou de vendedora a compradora, as remessas nacionais assumem proporções inéditas, e o porto de Santos tem papel estratégico e preponderante neste comércio, pois responde por aproximadamente 85% das exportações.
Segundo projeções da própria estatal, até o final de 2010, o porto deve ultrapassar a marca de 17 milhões de toneladas operadas, isso implica dizer que as exportações vão crescer 5,5% no montante geral, em relação a 2009, quando foi registrado o recorde de 16.909.311 toneladas. Agora, o valor esperado é de 17.832.346 toneladas. Se a estatística se confirmar, o açúcar ganhará pelo quarto ano consecutivo, status de mercadoria mais negociada no complexo.
Estrutura
Para o presidente da Codesp José Roberto Serra, a liderança se justifica. “Temos o complexo portuário mais bem equipado no mundo para essa operação. Contamos com estrutura para embarcar 203 mil toneladas/dia, e um parque de armazenagem que supera 900 mil toneladas de capacidade estática. Nossos terminais possuem tecnologia de ponta e índices de produtividade excelentes. Conseguem concluir a operação de embarque de um navio em cerca de 24 horas”, explica.
Ao todo, são sete berços de atracação e seis terminais especializados, entre eles, o da Rumo Logística, maior player de logística do mundo em exportação de açúcar. Com capacidade de armazenagem estática acima de 380 mil toneladas de açúcar a granel e 55 mil toneladas do produto ensacado, as instalações são oriundas da fusão dos terminais Cosan Portuária e Teaçu e representa uma capacidade de embarque anual de 10 milhões de toneladas.
Investimentos
Se, por um lado, o Brasil está conseguindo exportar mais, a alta demanda revela uma triste realidade: a logística ainda caminha a passos lentos. O modal rodoviário dita a ‘velocidade’ do escoamento da carga. Além de poluir mais, os caminhões congestionam a cidade e, consequentemente, elevam o valor do frete.

porque de armazenagem supera 900 mil toneladas de capacidade estática de açúcar a granel e produto ensacado
Para mudar essa situação, a Rumo Logística tem como meta inverter a matriz de transporte e movimentar 90% das cargas por ferrovia, o que representa de 9 a 10 milhões de toneladas de açúcar por safra, ou seja, um terço da produção total do Centro-Sul do país até 2014. A inversão do modal rodoviário para o ferroviário reduzirá custos como o frete, eliminará o tráfego de caminhões no porto de Santos e retirará das estradas de São Paulo mais de 30 mil caminhões por mês, o que diminui em muito a emissão de CO2 na atmosfera.
Conforme a assessoria de imprensa da empresa, já foram investidos R$ 1,2 bi na malha ferroviária da ALL, com aporte destinado a iniciativas como a compra de 729 vagões e 50 locomotivas especiais para o transporte de açúcar do interior de São Paulo até o porto de Santos. Com esta iniciativa, já serão retirados 10 mil caminhões das estradas por dia, facilitando o desembarque de açúcar para envio ao exterior.
Reforço
Localizado no Paquetá, ele foi construído em uma área de 10 mil metros quadrados, tem capacidade para armazenar 90 mil toneladas estáticas, e pode operar até 3 mil toneladas por hora. Essas são algumas das características da mais nova empresa açucareira de Santos. Com matriz em Hong Kong, a Noble Group, trading global de suprimentos agrícolas e energia, abre seu primeiro terminal portuário no país, o graneleiro 12-A, por onde pretende movimentar até 2,3 milhões de toneladas de granéis por ano.

Inversão do modal rodoviário para ferroviário objetivo retirar mais de 30 mil caminhões por mês das estradas de São Paulo
O Noble Group investiu R$ 100 milhões na obra, que demorou 18 meses para ficar pronta. O empreendimento foi possível graças a uma parceria com o Grupo Itamaraty, detentor do contrato de arrendamento da área junto à Companhia Docas do Estado de São Paulo, e do qual o grupo internacional agora detém 75% de participação. Apesar da inauguração em outubro, o terminal iniciou as operações em julho e, desde então, já escoou mais de 600 mil toneladas de açúcar.
