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Uma pedra é uma pedra, mas não esta

A data nela inscrita é de 1559. O frontispício já foi afixado na entrada principal da segunda edificação da Igreja Matriz de São Vicente Mártir e é considerada pelos pesquisadores como a mais antiga pedra com inscrição religiosa do país. Ela reúne, numa única peça, diversas informações históricas. “Normalmente, os objetos falam por si só, mas é preciso unir as datas, o autor e a finalidade, dados que estão espalhados, para poder recriar um cenário. Esta pedra tem tudo isso lapidado nela mesma”, explica o arqueólogo Manoel Gonzalez, da Universidade de São Paulo USP, referindo-se ao texto inscrito na pedra: “Pero Colaço Vilela me mandou fazer na era de 1559”. Vilela era o procurador da vila e a pedra ornava a segunda Igreja Matriz de São Vicente. A primeira foi destruída pelo mar e a segunda, por ataques piratas. Enterrada durante duzentos anos, a pedra foi achada em 1880.

Texto e Fotos: Flávia Souza

Trata-se mais antiga pedra com inscrições religiosa do país rarríssima prova material da colonização de São Vicente

Para apresentar o artefato à população, resgatar a memória do município e enfocar sua importância arqueológica, a prefeitura criou a exposição “São Vicente Arqueológico”, que pode ser vista até o dia 31 de julho, na Casa Martin Afonso.

Para o historiador Marcos Braga, coordenador da Casa Martim Afonso, ter essa pedra exposta em São Vicente é uma honra. “Existem poucas provas materiais da história da cidade, então, sua vinda é uma maneira de reforçar a importância histórica do município”.

A pedra foi encontrada durante reformas no entorno da construção da atual Igreja Matriz. Aos cuidados de Benedito Calixto, a peça foi doada para o Museu Paulista da USP (Museu Ipiranga) em 1917 e, desde então, não voltou mais para São Vicente. Diz Braga: “Foi necessário um ano de negociações com a USP e a viabilização da exposição para que pudéssemos ter esse importante artefato conosco”.

Exposição

Voltada para questões históricas e culturais, a exposição conta, ainda, com descobertas recentes do Sítio Bacharel, localizado nos fundos da Casa Martim Afonso, e no Boulevard Anna Pimentel. A mostra também apresenta vestígios de antigas civilizações que habitaram a região.

Entre as peças expostas estão ossos humanos, quadros de artistas antigos e atuais, incluindo obras de Benedito Calixto, louças e garrafas de eras passadas, partes do pêndulo e do sino da Igreja Matriz do século XVIII, objetos feitos de pedras por homens sambaquis e índios tupis, mapas antigos de São Vicente, além de livros históricos. De acordo com Braga, são “itens garimpados em sítios, e que passaram por uma profunda pesquisa arqueológica antes de ser apresentados ao público”.

Sítio arqueológico

Exposição apresenta vestígios de civilizações antigas que habitam a região

A visita à exposição proporciona, também, uma boa oportunidade de conhecer outros aspectos da história de São Vicente. No que seria o quintal da casa, literalmente, fica o Sítio Arqueológico Bacharel. Nele, encontram-se escavações arqueológicas – coordenadas por Gonzalez -, nas quais as pessoas podem observar a vala subterrânea de 2m10 de profundidade, por dez metros de comprimento e três metros de largura, local onde pesquisadores trabalharam entre os anos de 2009 e 2010.

Conchas, ossos de animais e humanos, vestígios de sambaquis datados de cerca de 3 mil anos, além de pedaços de cerâmica de 800 anos são algumas das 883 peças encontradas.

Casa Martim afonso, sede da exposição tem ao fundo o Sítio Bacharel

A descoberta é considerada excepcional porque reúne em um único local quatro sítios arqueológicos (cada um de uma época). São eles: os de sambaquis, com cerca de 3 mil anos; o de ocupação tupi, de 800 anos; o de miscigenação e transição de povos, no caso específico de negros com índios (século XV) e de núcleo colonial (séculos XVI a XVIII).

Serviço: a exposição “São Vicente Arqueológica” é gratuita e pode ser visitada de terça a domingo, das 10h00 às 18h00. A Casa Martim Afonso fica na Praça 22 de Janeiro, 469 – Centro. Informações adicionais pelo telefone (13) 3568 8948, ou pelo blog www.cmartimafonso.blogspot.com

 


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