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Aqui tudo se aproveita. Mesmo!

Aqui tudo se aproveita. Mesmo!

Texto e fotos Flávia Souza

Capas de chuva, móveis ecológicos, roupas, acessórios e produtos de decoração, tudo feito com muito capricho e, o melhor, a partir do reaproveitamento de material reciclável. O que iria para o lixo transforma a vida de pessoas, gera renda, oportunidades e sonhos nas mãos habilidosas das integrantes da Cooperativa de Reciclagem da Ilha (Cooperilha), no bairro Santa Cruz dos Navegantes, em Guarujá.

Banners, garrafas PET, plásticos e sobras de tecidos se transformam graças à criatividade das artesãs da Cooperilha

A cooperada Dorotéia Lopes Cabral tem 52 anos, e há 12 sofre de esquizofrenia. Perdeu as contas de quantas vezes sua família a internou por causa da doença. Tomava muitos remédios e vivia depressiva, mas garante que viu sua vida mudar depois que passou a participar da cooperativa. “Aqui ocupo o meu tempo fazendo atividades que me dão prazer. Ajudo das mais variadas formas, da coleta nas casas à produção de material. Quando estou na rua, batendo de porta em porta em busca de produtos recicláveis, converso com as pessoas, explico a importância da reutilização de material e de se preservar o meio ambiente. Acho gostoso fazer isso e assim acabei me tornando uma agente ambiental”, conta.

A idealizadora e fundadora da entidade Maria de Nazaré do Nascimento da Silva conta que a cooperativa nasceu de um sonho. “Em 2002, pegávamos recicláveis nas ruas para vender, até que três anos depois participamos de uma aula de cidadania dada pela ONG Uno e Verso, da qual somos parceiras. A partir daí começamos a sonhar com a cooperativa. Logo fizemos cursos de economia solidária e cooperativismo, e agente ambiental, até que em 2005 fundamos a Cooperilha”. Foi por meio de patrocínio do Instituto HSBC que as interessadas participaram de cursos de capacitação. Já a Petrobras viabilizou a compra da sede e maquinário, além de cursos.

Ecologicamente corretos

Com o material arrecadado no bairro, elas produzem de tudo um pouco: móveis ecológicos, como pufes e poltronas, feitos com garrafas PET; roupas e acessórios, como bolsas, carteiras e nécessaire feitos de banners usados, doados por empresas. “Com esse material fazemos lindas e diferenciadas sacolas. Uma novidade em nossa produção são as modernas capas de chuva, também confeccionadas com banners”.

Além dos móveis, as garrafas PET servem para muitas outras produções. Com elas são feitas flores, arranjos e outros objetos decorativos, e até bijuterias. E nada fica de fora. A embalagem tipo tetra pak vira manta térmica para ser usada em construções, sob telhas, para baixar a temperatura no interior das residências. Papelão, folhas de revista e o papel jornal reciclado também viram artigos de decoração, como cestas, vasos e luminárias. Com retalhos, confeccionam-se almofadas, bolsas e até colchas de fuxico.

A população também participa. Quem separa e entrega recicláveis, beneficia-se ao entrar num banco de troca com a entidade. “A pessoa traz os produtos e ganha créditos que futuramente poderão ser trocados por materiais da cooperativa”, explica Nazaré.

Serviço: a Cooperativa de Reciclagem da Ilha (Cooperilha) fica na Rua Orlando Botelho Ribeiro, 359, fundos, Santa Cruz dos Navegantes, Guarujá. Telefone: (13) 3354.1210. Mais informações podem ser obtidas no blog da entidade: www.cooperilha.blogspot.com.

 


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