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Pássaros de ferro

Nas tardes de sábado e domingo, e noites de quarta-feira, uma revoada de esportistas viciados em adrenalina esquenta os motores para mais um espetáculo de muita emoção e velocidade. Adultos e crianças, amadores e profissionais, todos dividem o mesmo circuito para treinar ou simplesmente relaxar, se isso é possível na prática de motocross.

Por Flávia Souza

Pássaros de Ferro

O circuito fica em Praia Grande, na área de lazer Ézio Dall’Acqua, o conhecido Portinho. Por lá bate ponto o santista Nivaldo Viana, colecionador de títulos e integrante da maior equipe privada do país. Entre os muitos títulos conquistados, destacam-se os de campeão latino-americano, brasileiro e paulista. Nivaldo tem 27 anos de idade e 22 de motocross. “Sou profissional desde os cinco anos de idade”, diz ele. Quem o levou para a pista ainda nos primeiros anos de vida foi seu pai Nivaldo Mesquita, que até hoje o acompanha nos treinos e campeonatos.

O que tem segurado Nivaldo sobre duas rodas por tantos anos é a energia que descarrega enquanto pilota. Ele diz: “A adrenalina inicial é muito forte, assim como o nervosismo que sentimos quando estamos competindo. Mas quando estamos nas pistas, a sensação é ainda maior. É como se estivéssemos voando”.

A Baixada Santista conta com cerca de 150 pilotos, segundo Nivaldo, dentre eles crianças entre cinco e 12 anos. “Essa nova geração de pilotos kids surgiu graças à pista de Praia Grande. Aqui é uma verdadeira fábrica de atletas e desse grupo sairá futuros campeões”, garante.

Roberto Shoji, coordenador da pista de Praia Grande

O piloto faz parte da superestruturada equipe 2B Racing, que conta com helicóptero, centro de treinamento próprio em Minas Gerais, rotina de alimentação e condicionamento físico. Tem técnico em tempo integral e psicólogo esportivo. A equipe conta com patrocinadores de peso e atinge um nível compatível com os padrões internacionais.

Roberto Shoji Neto, iniciou muito cedo no motocross, inspirado pelo pai, (Roberto Shoji)

A história de Nivaldo pode se repetir com Roberto Shoji Neto, de 13 anos. O atleta começou a andar sobre duas rodas nos circuitos de motocross muito cedo, aos quatro anos. Inspirado no pai, que também é piloto, ele diz que adora a adrenalina que sente quando está na moto.

Entre uma volta e outra, o adolescente pede conselhos ao pai Roberto Shoji, coordenador da pista de Praia Grande. “Ver meu filho correndo é uma mistura de apreensão com realização. Como pratico motocross desde que ele nasceu, conheço os riscos e dificuldades do esporte. Sempre oriento que essa aprendizagem não pode expor a criança a riscos e deve ser feita gradativamente, sem pressão. E na cidade temos uma boa estrutura para isso”.

Circuito

A pista praiagrandense já se tornou referência para competidores e promotores de eventos da modalidade. Entre os diferenciais estão a iluminação e o ponto de partida. “É o único circuito brasileiro com largada no alto e em asfalto, seguindo padrões do esporte no exterior”, explica Shoji.

O primeiro circuito permanente da Baixada Santista possui 1365 metros, 17 curvas e apenas uma grande reta. As motos atingem velocidade máxima próxima a 120 quilômetros por hora. Com tais características possibilita maior número de ultrapassagens, proporcionando mais emoção para o público e competidores.

Os obstáculos montados no circuito também criam o máximo de dificuldade para os pilotos durante os treinos e corridas. De um total de oito espalhados pela pista, dois chamam mais a atenção: são plataformas, chamadas de mesas, com 13 metros de extensão e três metros de altura. Nelas, os saltos chegam a atingir até sete metros de altitude.

Outro circuito permanente fica em Caraguatatuba, mas ele é provisório, uma vez que ainda não foi homologado pela Federação de Automobilismo. Com total infraestrutura para receber competidores, o circuito – que tem 1200 metros de extensão e oito metros de largura – localiza-se na praia do Porto Novo, ao lado do Terminal Turístico, atualmente fechado para reparos

 


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