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Os belos, saudáveis e prazerosos esportes náuticos

Contagem regressiva para começar a “Fórmula 1” dos eventos náuticos. De 3 a 9 de julho, a Capital da Vela é palco das regatas da 38ª Rolex Ilhabela Sailing Week, que reúne a nata de velejadores do Brasil, Argentina, Catar, Chile e Uruguai. Eles colorem os mares do belo arquipélago com 150 embarcações. E o ponto de encontro é o charmoso Yacht Club de Ilhabela.

Por: Bruna Vieira

foto: Rolex Carlos Borlenghi, De 03 a 09 de Julho, a cidade receberá barcos e veleiros de várias partes do mundo

O calendário de provas do maior evento de vela oceânica da América Latina começa na manhã do dia 3, com as regatas Alcatrazes por Boreste – Marinha do Brasil, Ilha de Toque-Toque por Boreste e Renato Frankenthal – HPE 25. As classes inscritas são: S40, ORC, HPE 25, J24 e BRA-RGS.

A agitação não para por aí. Em seguida, de 15 a 17 de julho acontece a 38ª Semana Internacional da Vela de Monotipos de Ilhabela, na Praia do Pequeá. O evento é um celeiro de talentos. Conta com a participação de cerca de 400 velejadores amadores e profissionais que vêm de outras regiões do Brasil e da América do Sul.

De fato, em julho, Ilhabela torna-se o centro das atenções. Seu nome é projetado internacionalmente. Momento no qual alguns velejadores caiçaras podem mostrar o que aprenderam nas escolinhas de vela municipal. O secretário de Esportes Nuno Gallo confirma que, dos 400 atletas que participam da Semana Internacional, 60 são ilhabelenses e competem sem pagar taxas, bem como os participantes oriundos de projetos sociais.

Cerca de 150 barcos praticipam da 38º Rolex Ilhabela Sailing Week

Assim, o inverno no arquipélago esquenta com as competições. Hotéis, pousadas, restaurantes e comércio faturam o mês de média temporada. Djane Vitoriano, secretária municipal de Turismo, comemora: “Temos alegria de ter um roll de velas e barcos no canal de São Sebastião. Ainda temos montanha, trilha, praia e sol. Bela o ano todo”. E para dar mais tempero ao inverno ilhabelense, neste período, o centro da cidade, mais conhecido como a Vila, abriga o Espaço Veja e a exposição de quadros de Romero Brito.

Mário Sérgio Perrechil, da Associação Comercial de Ilhabela, diz que os comércios localizados entre o Perequê e a Vila são disputados por turistas, competidores e familiares. “Os preços são convidativos: até 40% abaixo da alta temporada”, afirma.

Os hotéis e pousadas, por sua vez, fecham pacotes para abrigar os velejadores. Segundo Edilson Moretto, da Associação de Hotéis e Pousadas de Ilhabela, todos ganham com o efeito cascata. “As pousadas localizadas perto da Vila são as primeiras a lotar. As demais são ocupadas gradativamente”.

Todos ao mar

Quem não se contenta em apenas apreciar as competições, pode ir além. Durante o ano todo, Ilhabela abriga projetos e escolas que ensinam vela, vela oceânica, kitesurf, windsurf. Isso mesmo, todos estes esportes podem ser praticados nas belíssimas paisagens do litoral norte paulista. Veja os detalhes a seguir:

Kitesurf

O kiteseurf alia técnicas do surf, do esqui, do wakeboard e voo livre

Mistura de surfe, esqui, wakeboard e voo livre, o kitesurfe é um esporte apaixonante, tanto para quem pratica, quanto para quem aprecia. “Kite” é a pipa, que atua como uma asa impulsionada pelo vento, presa com linhas num cinto acoplado na cintura do praticante, que ainda tem sob os pés uma prancha. O instrutor Miler Morais, da Escola BL3, de Ilhabela, afirma que na temporada de verão chega a ministrar até 10 horas aula por dia: “A emoção está na velocidade. O praticante pode atingir até 50 quilômetros por hora. É só deslizar sobre o mar e executar altas manobras”.

Para iniciar neste esporte é preciso ter mais de 45 quilos, saber nadar e fazer aulas com um instrutor qualificado. As normas de segurança devem ser rigorosamente seguidas, independentemente do nível técnico do atleta. As primeiras voltas na água acontecem sem a prancha, para que o iniciante controle o equipamento, aprenda os procedimentos de resgate e os comandos de parar e estacionar o kite. Depois que o praticante assimila a força de “direcionar” o kite, é hora de colocar a prancha nos pés e enfrentar o desafio das ondas e do vento.

As três principais manobras no kitsurf são as de transição (mudanças de direção feitas pelo atleta), de salto (feitas no ar e visualmente as mais bonitas) e as feitas na onda (adaptadas do surfe). Nos campeonatos, para cada uma das três opções existem termos e pontuações diferentes.

O advogado paulistano Celso Grisi, 33 anos, despertou para o mundo do kitesurf em uma viagem recente de férias a Natal, capital do Rio Grande do Norte. Lá ele fez 12 aulas sob um vento que bate forte. “Em Ilhabela, o vento é mais fraco e, por isso, fica fácil de aprender. O melhor desse esporte é o contato com a água e o ar, e o equipamento não tem motor que agride o meio ambiente. O kite é mais barato e mais leve do que o wind. A sensação é de voar-flutuar rente ao mar”, revela.

O personal trainer Diego Torres, 30 anos, e sua esposa Janine Seibel, 30 anos, moram em Ilhabela e amam kitesurf. “Quando estou no meio do mar com o kite, é o momento que agradeço a Deus por tudo. Viajo, relaxo, esqueço dos problemas do dia a dia. A ilha vista do mar para o continente fica ainda mais bonita. Como moro aqui, sempre que tenho um almoço mais prolongado aproveito para praticar kite. Nos finais de semana é sagrado”.

Janine diz que o grande incentivador foi o marido. “No começo, ele me jogou na água e, como eu já sabia surfar, não parei mais. Além de exercitar o corpo, o kite serve como terapia. O dia em que entro no mar de mau-humor, saio completamente zen”, afirma a assistente social. Ela dá a dica para as mulheres que queiram aprender kite: precisa ter coragem, garra e resistência; com o tempo vem o aperfeiçoamento.

Este esporte chegou ao Brasil em 1998 e de lá para cá houve uma evolução nos equipamentos que são: kite (pipa), linhas de voo (medem de 20 a 40 metros), barra de controle (para direcionar o kite) e a prancha (do tipo de surfe com alças para os pés). Também é necessário usar capacete, colete flutuador (que funciona como se fosse o cinto de segurança) e barra com sistema de desengate rápido.

O kitesurf se diferencia dos demais esportes náuticos porque só nele é possível velejar, planando em ventos mais fracos do que no windsurfe; dar saltos nas ondas, atingindo alturas que não são possíveis na prática do snowboarding e wakeboarding; fazer manobras de wake sem precisar de lancha; dar saltos e loops em lagoas e rios, com ventos fracos e sem precisar de ondas; surfar ondas de verdade e fazer manobras de surfe como se tivesse um motor para tornar tudo mais radical. É, ou não, um esporte dos sonhos, para quem gosta de fortes emoções?

Windsurf

Vento soprando no rosto. Corpo confortavelmente equilibrado em cima do equipamento e uma pista para lá de emocionante: o mar. No windsurf, o segredo é conseguir planar sobre a água, utilizando a força do vento. Também conhecido como esporte da “prancha à vela”, pois, para praticá-lo basta unir uma prancha idêntica à de surfe com uma vela entre 2 e 5 metros de altura. Agrada tanto os surfistas, que podem ir ao mar em dias de ondas fracas, como os velejadores, que podem praticar o wind em dias de pouco vento.

O médico Luiz Sá, 49 anos, trocou o hipismo da capital paulista pelo windsurf de Ilhabela. O gosto pelo esporte ele divide com os filhos Lucas, de 17 anos, e Eduardo, de 14, que sempre o acompanham nas escapadas de final de semana para o litoral. “É melhor que meus filhos estejam aqui praticando esportes do que fechados dentro de um shopping center. Por meio do windsurf eles aprendem que é preciso se dedicar, batalhar, treinar para ter êxito no esporte, assim como tudo na vida”.

O filho Lucas Sá confirma o amor da família pelo esporte. “É preciso ter força de vontade e saber que sempre posso melhorar. Mesmo quando estou na capital, quando sinto uma brisa, já penso logo em vir para cá praticar wind”.

Criado na década de 1960 e patenteado oito anos depois no Brasil, o windsurf se tornou “febre” na década de 1970. As mudanças no design e os avanços tecnológicos nos equipamentos de windsurf deram mais estabilidade e leveza às pranchas.

Vela

Os benefícios dos esportes náuticos para a saúde são muitos, pois trabalham as musculaturas das costas, pernas, braços, glúteo e abdômen. O instrutor Kleyton da Silva explica que a porta de entrada dos interessados em aprender um esporte náutico é o iatismo (vela). Esporte mais fácil do que o kite e wind. O iatismo é praticado sentado dentro da vela, uma embarcação estável para 2 ou mais pessoas.

No curso básico de veleiro, o aluno conhece todas as partes do barco, aprende a montá-lo, sair e chegar, manobras de bordo e jibe, virar e desvirar, além de velejar nos três tipos de vento (contravento, través e popa).

O curso de vela oceânica é realizado em Ilhabela a bordo de um veleiro Delta 32 durante dois dias, totalizando 12 horas. No barco-escola, todos aprendem a identificar os principais componentes do veleiro, os nomes de todos os cabos, velas, noções de navegação etc. Antes mesmo de sair para o mar, o instrutor simula as manobras mais frequentes, como bordos, jibes e troca de velas. Durante o trajeto, os alunos se revezam nas funções, aprendendo a cumprir todos os papéis exigidos numa velejada. As aulas devem ser marcadas com antecedência.

No curso intermediário para cruzeiro, os alunos vivenciam uma imersão de 3 dias e 2 noites, a bordo de um veleiro. Introdução e prática em planejamento e navegação em alto mar; leitura prática da carta náutica; uso do GPS; traçar rotas; utilização da bússola; navegação noturna; noções de ancoragem.

A prefeitura de Ilhabela disponibiliza professores de vela na Praia Grande, sul da Ilha, que ministram aulas gratuitas com duração de 2 horas. Os interessados podem se inscrever na praia, pouco antes da aula.

Escala de emoções

A BL3, além de ser uma escola de esportes náuticos, é também um clube atualmente com cerca de 300 sócios, dentre eles windsurfistas e velejadores que deixam o equipamento alocado na escola. São duas bases da BL3, uma na praia de Armação e a outra na praia do Engenho d’Água, sendo a mais tradicional escola de iatismo da cidade.

A escola utiliza o método de aprendizagem inglês da RYA – Royal Yachting Association nos cursos de veleiro, windsurf e vela oceânica para adultos e crianças, do nível básico ao avançado.

No curso básico de windsurf, o aluno conhece as partes do equipamento, faz a montagem básica, aprende a se equilibrar (posição fundamental), orçar e arribar e as manobras bordo e jibe. A duração destes dois cursos é de 12 horas e o aluno já sai velejando na primeira aula. Para participar, basta saber nadar.

Já o curso básico de kitesurf é ministrado na praia da Armação. As aulas têm a duração de 50 minutos no mar e são acompanhadas pelo instrutor, que orienta o aluno dentro de um bote. É aconselhável não fazer mais de 2 horas/aula por dia, porque o esforço físico no início é grande.

No caso do kitesurf, 5 a 6 aulas bastam para aprender o ofício. O segredo é comprar o próprio equipamento (cerca R$ 3 mil) e praticar sempre que possível, mesmo que seja só nos finais de semana. Quem já pratica algum esporte de prancha terá mais facilidade.

Contatos com a escola BL3 podem ser feitos pelos fones: (12) 3896 5885 e (12) 3896 1034. E-mail: engenho@bl3.com.br ou Skype: bl3_engenho

 


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