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Aventura pulsante

Aventura  pulsante

Quem acha que praticar rafting é só descer a correnteza ou as quedas de um rio em cima de um bote, se engana. Nesse esporte, as águas do rio pulsam, refrescam e levam embora qualquer vestígio de estresse e cansaço. Remadas fortes e sincronizadas impulsionam o bote.

Texto e fotos Bruna Vieira

A força da correnteza leva a embarcação para a corredeira à frente. E, rapidamente, chega-se a um turbilhão de água – um verdadeiro funil.

O instrutor grita “Piso!”, e todos se ajoelham, à procura de estabilidade. Em seguida, o bote encalha no estreito buraco cercado de rochas, mas, embaixo, a água continua a toda força. Os participantes ouvem o segundo comando “Peso à direita!”, e se colocam nessa posição, mas no lado mais alto da embarcação, para que o bote se desprenda das rochas. Ufa! O bote navega novamente no rio.

O passeio de rafting em São Luiz do Paraitinga reúne ação, aventura e suspense. A aventura acontece dentro do Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Santa Virgínia, onde está o Rio Paraibuna, no trecho da cidadezinha de São Luiz do Paraitinga, que se reergue após ter sofrido uma grande enchente no início de 2010. O acesso é pela Rodovia Oswaldo Cruz, que interliga Ubatuba, no litoral norte, à Taubaté, no Vale do Paraíba.

São Luiz do Paraitinga atrai todo ano muitos e muitos amantes do rafting (e de outros esportes de aventura). Claro, ali se encontra mata preservada, rio com corredeiras, quedas e cachoeiras, trilhas orientadas, paredões íngremes e muito mais.

Começa a aventura

O ponto de encontro do passeio de rafting é às 8h30, no Km 48 da citada Rodovia Oswaldo Cruz, no Armazém do Milho. Ali, os participantes deixam seus pertences no carro, vestem roupas leves e confortáveis, e embarcam num ônibus que leva ao início da aventura, na beira do Rio Paraibuna.

Ainda em terra começa o ritual de instrução sobre os comandos de remada e salvamento, para que os participantes tenham noção da segurança necessária. Pausa para o alongamento e fotos das equipes de cada bote. O passeio começa. Alguns minutos passam até que os 4 ou 5 participantes mais o guia de cada bote acertem a remada, que deve ser feita em sincronia, acompanhando os dois remadores posicionados na frente do bote (responsáveis pelo ritmo).

O instrutor de rafting dá os comandos: “Frente”, “Ré”, “Direita ré”, “Esquerda ré”, “Parou”, e todos devem fazer os movimentos em perfeita sintonia. “Desço este rio de bote há mais de 14 anos e sempre é diferente. A natureza se refaz, se recicla, apresenta belezas e obstáculos novos a cada percurso. Sinto-me feliz de poder tirar meu ganha-pão desta aventura”, diz João Eduardo Espírito Santos, guia e proprietário da Companhia de Rafting, operadora de ecoturismo de São Luiz.

O percurso

São várias corredeiras contínuas, algumas com grandes desníveis e, em alguns casos, intransponíveis, o que exige a portagem (transporte do bote pela margem do rio) para transpor a corredeira de nível 4. O desnível do Rio Paraibuna chega a 99 metros, e todo o percurso é torneado por grandes rochas, o que garante a adrenalina no passeio.

O desnível do Rio Paraibuna chega a 99 metros, e todo percurso é torneado por grandes rochas.São várias corredeiras contínuas e algumas intransponíveis, oque exige o transporte do barco pela margem do rio(portagem)

Nesse rio é possível descer as melhores e mais conhecidas corredeiras como Saltinho, Salto Grande, Gamela, Caixão. Essa última em um canyon afunilado. Um turbilhão de água impulsiona o bote com toda a velocidade e não tem quem consiga sair seco dessa, é um verdadeiro liquidificador. Já a Gamela tem esse nome por ser uma corredeira que deságua em um redemoinho, de 5 metros de diâmetro, tão forte que faz o bote girar como se alguém estivesse mexendo o alimento (bote) dentro de uma gamela (panela). Corredeiras que só se encontram aqui.

A expedição denominada Brazadão inclui algumas das corredeiras acima, e leva em média 4 horas. O percurso de oito quilômetros no Rio Paraibuna tem quedas de nível 2, 3, 3+ e 4 (o mais difícil é o nível 5, sendo o nível 6 impraticável mesmo para profissionais), e trechos de calmaria e remanso propícios à contemplação.

Natureza bela

Nos momentos de portagem, a sugestão é caminhar pelas rochas e admirar a sua formação. Ora as rochas formam uma escadaria, ora apresentam formas arredondadas, ora se mesclam em múltiplas arquiteturas. Sem falar na mata ciliar, que ladeia o Rio Paraibuna, praticamente intocada. Esplêndida. Os poucos moradores ribeirinhos são os guardiões deste trecho de Mata Atlântica.

As condições do tempo e o nível de água do rio são fatores naturais que interferem na expedição. Dá para fazer rafting em dia ensolarado, nublado ou chuvoso, mas claro que a paisagem fica perfeita num dia de céu azul, quando o calor do Sol aquece e aumenta a adrenalina dos aventureiros. E, se o rio estiver cheio, isso facilita a passagem dos botes pelas quedas e cria uma dose extra de adrenalina. No final do passeio vem a sensação de querer mais, e os aventureiros se despedem com um “até breve”, bem breve, a São Luiz do Paraitinga.

Serviço: www.ciaderafting.com.br, e-mail: rafting@ciaderafting.com.br. Fones: (12) 3671 2665 (São Luiz do Paraitinga) e (12) 3018 4809 (São José dos Campos). Preço: R$ 120,00 por pessoa.

O rafting desperta no indivíduo o prazer e a satisfação de desfrutar das belezas naturais proporcionadas pelos rios e seu entorno. Hoje, além de ser praticado por amantes do ecoturismo, o rafting é usado em grupos de trabalho para despertar aspectos de liderança, trabalho em equipe, desafio e conscientização ambiental. A prática surgiu no final do século XIX, no rio Colorado, nos Estados Unidos. No Brasil, o rafting é praticado desde a década de 1980 e, em São Luiz do Paraitinga, desde 1996.

Quem pode praticar: crianças acima de 12 anos até idosos podem praticar com percursos de até o nível 4, acompanhados de guia experiente.

O rafting desperta o prazer e a satisfação de vencer desafios

Dicas antes da viagem: dormir cedo na noite anterior; não ingerir bebida alcoólica na noite anterior e, no dia do programa, tomar um café da manhã reforçado.

O que é oferecido: seguro de acidentes pessoais, equipamentos (botes, coletes salva-vidas, capacetes), cabo de resgate, primeiros socorros, guias, transporte local do ponto de encontro até a atividade e retorno para o ponto de encontro, lanche na metade do percurso de rafting, veículo de apoio com rádio VHF, caiaque de segurança.

O que levar: par extra de tênis, bermuda, toalha, roupão de borracha (neoprene), repelente, protetor solar, máquina fotográfica, agasalho de lã ou de nylon, pois há quedas de temperatura durante o passeio e, para quem usa óculos, é recomendada a utilização de algum tipo de protetor para casos de quedas.

 


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