A extração de petróleo da camada de pré-sal da Bacia de Santos é uma realidade. Três sistemas de produção já operam no local: dois em testes de longa duração e um definitivo. Um segundo poço definitivo deverá operar, também, até o final desse mês, de acordo com informações do engenheiro José Luiz Marcusso, gerente geral da Unidade de Negócios de Exploração e Produção da Bacia de Santos. E essa riqueza não vem sozinha. Traz consigo grandes investimentos, empresas, empregos e até mesmo o aeroporto civil metropolitano. Estima-se que toda a cadeia produtiva que envolve o pré-sal na Bacia de Santos gerará milhares de empregos nos próximos anos.
Texto Sueli Alves
Um bom exemplo são as obras de construção da sede de negócios da Petrobras no bairro do Valongo, em Santos, já iniciadas. A previsão é que a primeira torre esteja concluída no final de 2013, com capacidade para 2.200 pessoas. Dessas, cerca de 70%, ou seja, de 1.500 a 1.700, sejam funcionários da Petrobras e os demais de empresas terceirizadas, porcentual que deve se manter nas outras duas torres a serem construídas. A segunda delas está com o projeto em fase final, com previsão de início de construção entre 2015 e 2016. Já a terceira, entre 2017 e 2018. Ao todo, as três torres abrigarão por volta de 6 mil pessoas. Com as empresas que se instalarão no entorno da sede, estima-se de três a cinco mil empregos gerados indiretamente.
Santos não será a única a ser beneficiada, como bem mostra a chegada da empresa retroportuária RPA – Terminais de Contêineres, em Praia Grande. Trata-se de um processo natural quando a Petrobras chega a uma região. Ela atrai outras empresas, suas fornecedoras, e estas atraem outras, sucessivamente.
Para que esse crescimento não ocorra de forma desordenada, a Petrobras fez um plano diretor para a região. Nesse sentido, a Cespeg, Comissão Especial de Petróleo e Gás, fez um mapeamento de demandas da Baixada Santista, avaliada no seu contexto de região efetivamente metropolitana, para que todos lucrem com essas instalações.

Projeto da unidade de negócios da Petrobras, cujas obras já foram iniciadas; a primeira torre deverá estar concluída no final de 2013
Se tomarmos como exemplo uma plataforma marítima de porte médio, seja ela de perfuração ou de produção, a mão de obra necessária para operá-la gira em torno de 100 pessoas, entre elas garçons, arrumadeiras, cozinheiros etc. Considerando-se os trabalhadores que estão de folga ou em férias, por exemplo, o contingente de uma plataforma desse porte gira em torno de 300 pessoas. Diz Marcusso: “Se considerarmos a Bacia de Santos hoje, temos sete plataformas. O projeto prevê mais de 30. Então nós vamos chegar a ter cerca de 20 mil pessoas empregadas só nas plataformas, mais cerca de 6 mil no Valongo, fora os funcionários das empresas que se instalarão aqui”.
A Bacia de Santos terá duas bases logísticas da Petrobras. Uma delas será instalada na Base Aérea de Santos, em Guarujá, e a outra em Itaguaí, no Rio de Janeiro. Marcusso explica que são instalações compostas por porto, aeroporto, instalações para armazenamento, centro de defesa ambiental e laboratórios. O porto abrigará barcos chamados de suply, que levam todo tipo de suprimento para as plataformas.

Marcusso revelou que a Petrobras firmou convênio de mais de 1 milhão de reais com a prefeitura de Santos para a instalação de câmeras de segurança na região de Paquetá, Vila Nova e o centro da cidade
Prevê-se uma retroárea com cerca de 700 mil metros quadrados em torno da base offshore em Guarujá, além da construção de uma estrada de acesso exclusivo à base, a partir da rodovia Cônego Domênico Rangoni, para que não cause nenhum impacto à comunidade de Vicente de Carvalho, e que também servirá de acesso ao aeroporto. A Petrobras deverá operar na Bacia de Santos cerca de 200 a 250 mil passageiros por ano via helicópteros. A estimativa é que, no pico das operações, haja mais de 50 aeronaves de grande porte, que transportam até 18 pessoas, sendo utilizadas.
Aeroporto
Segundo Marcusso, foi firmado um acordo com o IV Comar (Comando Aéreo Regional), em São Paulo, para estabelecer onde ficarão as instalações para atendimento da Petrobras e o futuro aeroporto civil. Ele diz que a Petrobras já opera em aeroportos de forma compartilhada. “Funciona assim em Vitória, Macaé, e já funcionou em Natal”.
A Petrobras vai investir na conclusão do aeroporto. O acordo assinado com o Comando da Aeronáutica, em agosto do ano passado, pelo diretor de exploração e produção da Petrobras Guilherme Estrella, contempla a instalação da base logística, com contrapartidas para a Aeronáutica. A prefeitura de Guarujá também tem recurso previsto em seu orçamento para este fim. São dois projetos distintos, mas convergentes.
Mão de obra

Em setembro, a primeira molécula de gás da Bacia de Santos chegou à Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (acima), que já processa em torno de 5 a 6 milhões de m2 por dia
A cadeia produtiva em torno do pré-sal prevê volumes enormes de investimento. A formação de mão de obra para operar todo esse sistema, que envolve a base onshore e a base offshore, tem como referência o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás (Prominp), criado em dezembro de 2003. Até o final do ano passado, mais de 80 mil pessoas foram treinadas em várias áreas, tanto de nível médio como superior, numa parceria entre o Ministério de Minas e Energia, a Petrobras, indústrias, universidades e escolas técnicas. As parcerias são muito importantes nesse contexto. Em Santos, por exemplo, a Petrobras recentemente anunciou que vai participar ativamente do parque tecnológico.
Na ocasião da instalação da unidade de tratamento de gás, em Caraguatatuba, as empresas trouxeram equipes de fora por não haver mão de obra qualificada na região e, aos poucos, formaram moradores locais para substituir esses trabalhadores. Por meio do Prominp, ou de convênios específicos, a Petrobras forma parcerias para facilitar a introdução dessas pessoas no mercado de trabalho. Em uma delas, com o Senai, a companhia treinou 800 trabalhadores da região de Caraguatatuba. Em 2007, a mesma parceria proporcionou formação para mais de 200 trabalhadores em Santos e Cubatão.
“O município sente-se muito honrado e orgulhoso em poder sediar a Petrobras. Nós sabemos a importância deste investimento para o Brasil em termos de abastecimento energético, do desenvolvimento do país. Mas também estamos muito preocupados. O nosso objetivo é transformar Caraguá em uma cidade boa para se morar, para se investir e visitar. Por isso, estamos investindo em educação, saúde e infraestrutura. Temos muitos desafios e o principal deles é melhorar o sistema viário do litoral norte, uma obra importantíssima para potencializar o desenvolvimento da região.”
Prefeito Antônio Carlos – Caraguatatuba
Unidade Caraguá
A camada de pré-sal foi descoberta em 2006 e, no dia 16 de setembro de 2011, a primeira molécula de gás da Bacia de Santos chegou à Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (UTGCA), em Caraguatatuba. Marcusso diz: “Ficamos felizes porque, para que essa molécula de gás pudesse chegar a Caraguatatuba, foram necessários estudos, contratar pessoas, aprovar projetos na diretoria. Trata-se de uma rede de gasodutos que vem desde o pólo pré-sal, o Campo de Lula (antiga área de Tupi) com mais de 530km, basicamente o sistema offshore, além de mais 100km onshore, ou seja, entre terra e mar são 630km de gasoduto; há, ainda, a perfuração de 30 poços do pré-sal, a instalação da Plataforma de Mexilhão e a construção na unidade de Caraguatatuba”.
Atualmente, a unidade processa em torno de 5 a 6 milhões de m³ por dia, recebendo gás do pré-sal do Campo de Mexilhão e do Campo de Uruguá (no Rio de janeiro). Mas, segundo Marcusso, ela tem capacidade para 18 milhões e com uma ampliação, atingirá 20 milhões de m³ por dia em 2013. “Hoje, a produção brasileira de gás natural chega perto de 60 milhões de m³ por dia. O gasoduto Bolívia-Brasil tem capacidade para 30 milhões. Essa nova rota de Caraguatatuba tem o potencial de atingir dois terços da capacidade do gasoduto Bolívia-Brasil. É realmente um feito importante para todos nós”.
Meio ambiente

ao lado, mapa da Bacia de Santos, onde se encontra a camada pré-sal. Ao lado, o esquema de captação e distribuição de gás do Campo de Mexilhão para Caraguatatuba
A grande movimentação na região gera preocupação ambiental. A respeito, Marcusso diz que a Petrobras segue o estudo de impacto ambiental e o que é acordado com os órgãos de proteção ambiental. O projeto de Mexilhão, por exemplo, contempla o atendimento a 22 comunidades pesqueiras. Em outros projetos, a Petrobras contribui com reflorestamento.
Sobre a instalação da sede do Valongo, em Santos, a Petrobras participa de um grupo liderado pela prefeitura local, que preparou um plano diretor para o bairro. Esse plano detalha a instalação de ciclovia no bairro do Valongo, além da instalação de VLT- Veículo Leve sob Trilhos, e implantação de delegacias de polícia. Marcusso explica que, recentemente, a Petrobras firmou convênio de mais de 1 milhão de reais com a prefeitura de Santos para a instalação de câmeras de segurança na região de Paquetá, Vila Nova e o centro da cidade.
Vocações e potencialidades
Litoral Norte
Vocações principais: turismo, desenvolvimento imobiliário, pesca, comércio, serviços e atividade portuária em São Sebastião.
Desafios
• Escassez de áreas livres e demandas por instalações de serviços do setor.
• Elevada presença de unidades de conservação.
Oportunidades principais para a indústria do petróleo
• Áreas em Caraguatatuba servindo como retroárea para o porto de São Sebastião.
• Presença do desenvolvimento imobiliário privado para atendimento de demandas por habitação.
Fonte Comissão Especial de Petróleo e Gás Natural do Estado de São Paulo




