A exploração da camada de pré-sal da Bacia de Santos atraiu a atenção dos investidores para esta grande mancha verde, até então vista como uma reserva especial, sem vocação ainda definida. Tal atração deve-se, também, à grande expansão urbana vivida atualmente na parte insular de Santos.
Texto Flávia Souza
Ou seja, o município santista vive o melhor cenário de desenvolvimento das últimas cinco décadas. Nas palavras do secretário municipal de Planejamento Bechara Abdalla Pestana Neves, “mesmo quando o mundo estava em crise, o nosso porto bateu recordes de movimentação. Temos um forte fluxo financeiro, um rico patrimônio construído em virtude do centro histórico, um conjunto arquitetônico tombado e muitas belezas naturais. E é esse panorama que tem atraído muitos investimentos públicos e privados.”

Bechara afirma que desenvolvimento sustentável e inclusão social estão entre os princiapais objetivos do modelo de ocupação proposto para a região
Foi essa soma de fatores que levou a direção da Petrobras a tomar a decisão estratégica de instalar na cidade a sede da Unidade de Operações de
Explorações e Produção da Bacia de Santos. A empresa acaba por atrair outras empresas do segmento. Mas a ilha já não comporta mais grandes investimentos; para acolhê-los, a administração pública está em fase de implantação de um novo zoneamento na área continental, destinada a atividades portuárias, retroportuárias e de petróleo e gás.
Com 12 bairros (três deles foram criados em junho deste ano) e cerca de 4500 moradores, a área continental possui dois bairros já consolidados, Caruara, o mais populoso e Monte Cabrão, onde se encontram as comunidades mais antigas.

Grandes empreendimentos estão previstos, como o maior terminal multiuso do Brasil, com início de operações em 2013
Com o novo zoneamento, outros bairros passarão a ter lugar de destaque no mapa. No bairro de Guarapá, às margens da Rodovia Cônego Domênico Rangoni, está prevista a construção do Parque Tecnológico, este que deve vir a ser um dos principais investimentos do setor na região. E no entorno dessa instalação haverá uma área dedicada à Zona de Atividades Logísticas (ZAL). Na Ilha de Bagres, segundo o secretário, está previsto o Centro Portuário Industrial Naval Offshore de Santos, onde será instalado o primeiro estaleiro do estado de São Paulo.
A Seplan prevê para breve que às instalações portuárias já existentes na área continental, juntem-se os terminais da Usiminas, da Vale, da Brasil Intermodal Terminal Santos (Brites) e mais a Empresa Brasileira de Terminais Portuários (Embraport). O órgão estima que esta última deverá movimentar até dois milhões de Teus (medida equivalente a um contêiner de 20 pés) por ano.
Como 90% da área continental são de proteção ambiental, existem questões que precisam ser estudadas antes que sejam feitos quaisquer investimentos privados. O objetivo da Seplan, segundo Bechara, é garantir um modelo sustentável para os projetos, de forma que a área continental cresça com qualidade. Segundo Bechara, “dentre as ações incorporadas nesse modelo está o processo de inclusão social. Este é um dos nossos maiores desafios. Queremos ter mão de obra apta para preencher os milhares de vagas que aparecerão. Por isso, estamos investindo em qualificação e requalificação dos nossos trabalhadores e empresários. O nosso propósito é que a riqueza em torno do pré-sal fique em nossa região.
Ocupação da área continental santista representa um novo momento para o desenvolvimento da região da Baixada Santista
Santos
Área insular
33 km² de área plana
6 km² de morros
99% da população
Área continental
231 km² de área total
1% da população
30 km² para expansão
Bechara afirma que desenvolvimento sustentável e inclusão social estão entre os principais objetivos do modelo de ocupação proposto para a região


