Para umas, essas cartas se traduzem em cursos técnicos, outras, com cartas maiores na manga, apostam em grandes projetos, tais como implantação de aeroportos e até a criação de um parque tecnológico. Quer seja com investimento em educação, quer em infraestrutura, todas estão imbuídas da necessidade de contribuir para o progresso regional.
Texto Vinícius Mauricio

Segundo Márcio Lara um instituto de Ciência e Tecnologia será construído em Santos (para desenvolver duas redes temáticas de pesquisa), vinculado ao centro de pesquisas da Petrobras
Dentre os nove municípios que integram a Baixada Santista, Santos é o que tem mais potencial, por ser, evidente, o mais desenvolvido. Sua aposta está na criação de um parque tecnológico, cujos estudos devem finalizar até o final deste ano. Nas palavras de Márcio Lara, secretário de Desenvolvimento e Assuntos Estratégicos da prefeitura, após, o projeto será enviado ao governo do estado. A partir daí, o parque poderá ser credenciado no Sistema Paulista de Parques Tecnológicos de forma definitiva (o credenciamento de Santos é provisório desde 2009).
Ainda segundo Lara, um Instituto de Ciência e Tecnologia também será construído em Santos, para desenvolver duas redes temáticas de pesquisa, vinculado ao Centro de Pesquisas da Petrobras – Cenpes. “O Parque contribuirá para garantir a inovação, que cria riqueza com novos produtos, serviços e sistemas”, afirma.
Apesar de tal potencial, “é preciso traçar um plano estratégico de investimento na qualificação e na educação, os maiores desafios”, diz Paulo Alexandre Barbosa, secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo. De acordo com Barbosa, o estado de São Paulo investirá mais de R$ 20 milhões para obras em parques tecnológicos. E Santos também pode receber incentivos por meio da Lei Paulista de Inovação Tecnológica (Lei Complementar 1049/2008).
O projeto visa a dinamizar o espaço urbano do centro histórico da cidade, a fim de que possa receber empresas inovadoras. Além disso, essas organizações formarão parcerias com as universidades da região de forma a desenvolver pesquisas e criar bens com valores agregados.
A ênfase do Parque Tecnológico de Santos será nas vocações regionais, como porto, retroporto, energia e desenvolvimento urbano (aí entra turismo, por exemplo). Numa segunda etapa, a área continental receberia empresas maiores, nos moldes dos parques tradicionais.
A Fundação Parque Tecnológico de Santos é a entidade gestora, cuja função é unir os blocos governamentais, universidades, empresas e o conselho técnico. A entidade abrigará, principalmente, uma incubadora para desenvolver novas empresas.
A Fundação passa por atualização em seu regimento interno. Discute-se, entre outros itens, a incorporação de um conselho público. Enquanto o parque não sai, a Fundação faz um diagnóstico dos pesquisadores e áreas de pesquisa na região e desenvolve um plano de
marketing e atração de empresas.
A Universidade de São Paulo, atenta ao novo mercado na Baixada Santista, passa a oferecer, a partir de 2012, o curso de engenharia de petróleo em Santos. Também o governo estadual deve construir a nova sede da Faculdade de Tecnologia (Fatec) e uma nova escola técnica estadual na Zona Noroeste.
Parque Tecnológico
Trata-se de um complexo de desenvolvimento econômico e tecnológico para empresas inovadoras, explica Jorge Luis Nicolas Audy, pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), e um dos responsáveis pela criação do TecnoPUC, um dos maiores parques do país.
Conhecedor dos maiores parques tecnológicos do mundo, Audy explica que, no Brasil, o desenvolvimento da ciência ainda é descolado do desenvolvimento tecnológico. E o parque tecnológico ajuda na transferência da tecnologia de forma a apoiar a pesquisa e o desenvolvimento. “Agora está na moda, todo mundo quer”.
O primeiro parque, e um dos mais famosos, é o do Vale do Silício, na Califórnia, onde empresas como a Microsoft se desenvolveram. Na segunda geração, as universidades ajudaram a alastrar o processo de construção de novos projetos do tipo, mas a delimitação do espaço ainda era evidente. “Há universidades na China, por exemplo, nas quais 95% da área total são destinadas aos parques tecnológicos”, explica Audy.
Aeroportos
“Desde 2009, o nosso foco foi qualificar. Guarujá tem previsão de 40 mil postos de trabalho só para a área de petróleo e o nosso objetivo é que não haja êxodo e, sim, a inclusão das pessoas que estão às margens desse desenvolvimento. Temos vários cursos sendo oferecidos nos centros comunitários, nas universidades e nas escolas estaduais. Também fomos o primeiro município a fazer convênio com a Petrobras para oferecer curso técnico em uma escola municipal, com aulas de química, mecânica e meio ambiente.”
Prefeita Maria Antonieta de Brito – Guarujá
Guarujá, Itanhaém e Praia Grande apostam na construção de aeroportos. No caso de Guarujá, a Petrobras, principal interessada, investe para que sejam feitos estudos ambientais na região onde deve ficar o aeroporto do município. O prazo para que essa carta seja efetivamente posta à mesa é o final deste ano.

O futuro aeroporto civil metropolitano, em Guarujá, deverá atender tanto a demanda da Petrobras quanto a da aviação regional. Terá capacidade para receber, ao mesmo tempo, até quatro aeronaves de pequeno e médio porte
Segundo Dario de Medeiros Lima, assessor estratégico da prefeitura de Guarujá para o assunto, o aeroporto civil da cidade deve atender tanto a demanda da Petrobras quanto a da aviação regional (poderá receber, ao mesmo tempo, até quatro aeronaves de pequeno e médio porte com capacidade para até 80 passageiros cada). O empreendimento ficará num espaço de 2,7 milhões de metros quadrados cedidos pela Base Aérea para o sítio aeroportuário, que equivale a aproximadamente 327 campos de futebol tipo Maracanã.
Neste caso, as vias de acesso constituem-se em fator preocupante, segundo Medeiros Lima, uma vez que, devido ao grande contingente de veículos que trafegam nas ruas e avenidas por conta do retroporto, poderá ocorrer uma saturação no trânsito local. Para tanto, preveem-se investimentos em melhorias nessas vias.
Itanhaém, por sua vez, investe numa carta recorrente nesse jogo: melhorias para o seu atual aeroporto, já utilizado pela Petrobras para transportar funcionários até as plataformas de Merluza e Mexilhão. A área do antigo aterro da cidade, próximo à área aeroviária, será recuperada. O lugar atrai pásssaros, como urubus, que prejudicam a segurança dos voos. Também serão construídos três novos hangares, um deles pela empresa Petrobras Distribuidora, e investido no recapeamento da pista de voo e dos pátios.
O aeroporto da cidade conta com uma pista de pouso e decolagem com 1.350 metros por 30 metros de largura (superior a do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro). E é capaz de suportar aviões do modelo Boeing 737 com capacidade para mais de 150 passageiros.
O prefeito João Carlos Forssell afirma que o “aeroporto está evoluindo gradativamente” e tem algumas empresas já interessadas em operar voos comerciais.
Praia Grande deve ter um aeroporto com vocação logística. Apesar de estar na manga desde 2007, a carta ainda não foi descartada. E, posta à mesa, o aeroporto deve ocupar uma área de 5 milhões de metros quadrados – quase o dobro do aeroporto de Guarujá-, abrigando um condomínio industrial, com empresas dos segmentos de tecnologia, construção civil, metalurgia, entre outros. Entretanto, o projeto ainda se encontra em estudos ambientais.
A cidade também é uma Zona de Processamento Secundário (ZPS), nos ditames do Cespeg (Comissão Especial de Petróleo e Gás Natural do Estado de São Paulo). Isso significa que pelo município passam instalações de gasodutos. Outra possibilidade de investimentos.
Infraestrutura e qualificação profissional
Em relação a Cubatão, Mongaguá, Peruíbe, São Vicente e Bertioga, prevê-se investimentos em infraestrutura, cada uma dentro de suas possibilidades, e em cursos de qualificação profissional.
Cubatão pretende investir R$ 87 milhões em programas de recuperação da estrutura viária, importante na ligação entre a Baixada Santista e a capital do estado. O município também deve instalar, até o final do ano, em parceria com a empresa de siderurgia Usiminas, um centro de qualificação na área de petróleo e gás. O projeto contará com recursos do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Enquanto que, em Mongaguá, o prefeito Paulo Wiazowski Filho criou, em 2010, um projeto para ampliar as áreas industriais da cidade para os balneários de Samas e Cavalo Marinho. A cidade também investe na construção de moradias e unidades de saúde.
Além disso, o município firmou parceria com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e oferece cursos do Programa Regional de Operações Articuladas (Proa). E cursos de informática e manutenção de computadores, gratuitamente.
Peruíbe também aposta em parceiros com boas cartas na mão, como o Senai, de forma a qualificar a população para as demandas do pré-sal. O município ainda deve ganhar uma sede para sua Escola Técnica – Etec, que ocupa, provisoriamente, o centro de convenções da cidade.
A atração de novas indústrias é uma das preocupações de Peruíbe, que criou a Sala do Empreendedor, para orientar e simplificar os procedimentos de registro e funcionamento de empresas no município. E trabalha para ter um departamento voltado à indústria, comércio e serviços. A Câmara Municipal da cidade aprovou um projeto que possibilita à administração promover ações de incentivo para a instalação de indústrias não poluentes. Segundo a prefeita Milena Bargieri, cerca de dez empresas manifestaram interesse em montar suas bases na cidade.
São Vicente tem uma sede da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), que conta com cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de biologia marinha, gerenciamento costeiro e meio ambiente. Haverá, ainda, investimentos na criação de cursos relacionados ao pré-sal, segundo o secretário de Comércio, Industria e Negócios Portuários, Fernando Bispo. A cidade investe, também, em cursos populares de inglês, para aproximadamente 50 alunos, nos quais se ensina o vocabulário logístico, devido à demanda do setor.
O secretário explica que, em decorrência do pré-sal, 18 novas empresas se instalaram em São Vicente, inclusive uma empresa de alta tecnologia. Também kits informativos estão sendo distribuídos para que novas empresas se estabeleçam na cidade.
Bertioga, por sua vez, preocupa-se com a urbanização e o meio ambiente, pois, segundo o prefeito Mauro Orlandini, o pré-sal deve ocasionar grandes ciclos migratórios e a cidade quer se candidatar a ser o novo endereço dos funcionários de alto escalão do setor.
Vocações e potencialidades
Baixada Santista – porção do estuário de Santos (São Vicente, Cubatão, Guarujá, Santos e Bertioga). Vocações principais: indústria de transformação, siderurgia, porto, comércio, serviços, armazenagem, manutenção e reparos, turismo, pesca, educação superior e especializada, aeroportuário, desenvolvimento imobiliário.
“O vigor econômico gerado pela cadeia de petróleo e gás encontrou em nossa cidade terreno fértil e uma comunidade madura, preparada para responder e se qualificar diante dos novos desafios e oportunidades. A parceria entre governantes, iniciativa privada e entidades civis está mudando para melhor a vida dos moradores: muitos empregos, comércio e serviços aquecidos, cursos preparando os nossos jovens para os postos de trabalho… O cuidado com o meio ambiente e a inclusão social completam o quadro, confirmando que Santos vive hoje um dos momentos mais importantes da sua longa história.”
Prefeito João Paulo Tavares Papa – Santos
Desafios
• Centros urbanos concentrados em população, tráfego e atividades associadas a porto, indústria e turismo.
• Limitação de áreas livres para expansão industrial e portuária.
• A oferta de água varia no verão (picos) e no inverno (escassez).
Oportunidades principais para a indústria do petróleo
• Áreas para estaleiro de grande porte e outras para pequeno porte.
• Presença de desenvolvimento imobiliário privado para atendimento de demandas por habitação.
• Áreas para expansão industrial.
• Áreas para base de apoio marítimo (supply base).
• Recepção dos escritórios e centros de comando das empresas ligadas a atividade de petróleo e gás natural.
Fonte Comissão Especial de Petróleo e Gás Natural do Estado de São Paulo.
Vocações e potencialidades
Porção sul da Baixada Santista (Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe). Vocações principais: turismo de veraneio, pesca, extrativismo, desenvolvimento imobiliário, comércio, serviços de indústrias de médio e pequeno portes, e setor aeroportuário.
Desafios
• Planejamento urbano e recursos financeiros limitados para receber e atender grandes volumes de investimento e, por consequência, seus impactos.
• Limitação de áreas devido às unidades de conservação presentes, o que reduz a oferta para instalação empresarial de maior porte.
• Não há áreas com calados superiores a 5 metros de frente para o mar, o que dificulta a recepção de investimentos em construção naval, montagem de módulos e bases de apoio marítimo (supply bases).
Oportunidades principais para a indústria do petróleo
• Apoio aeroportuário e atração da cadeia de negócios ligada à atividade em Itanhaém.
• Áreas para instalação industrial nas proximidades da SP-55 nos quatro municípios.
• Presença do desenvolvimento imobiliário privado para atendimento de demandas por habitação.
Fonte Comissão Especial de Petróleo e Gás Natural do Estado de São Paulo.



