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Clima favorável

Um, dois, três, quatro… Em uma caminhada pela praia da Enseada, entre o Forte São João e o bairro Jardim Rio da Praia, um trecho de cerca de 4 km, pode-se admirar prédios requintados que pontuam a orla da praia, cenário recente, mas que já trouxe novos ares para a pacata Bertioga. O momento é favorável para a construção civil e os empresários do setor estão otimistas quanto ao potencial de desenvolvimento da cidade. O engenheiro Edson Bichir, especialista em consultoria nesta área, afirma que a verticalização da orla é fato consumado e que houve um grande aumento pela demanda de áreas de, no mínimo, 2 mil m² (para prédios com seis andares) e de 3 mil m² (para até 10 andares), nos últimos três anos.

Texto Eleni Nogueira

Procura por área de 2 a 3 mil m² para construção de prédios frente ao mar tem crescimento nos últimos três anos

Em decorrência, houve um aumento de cerca de 35% do valor do metro quadrado na região central da cidade, que, hoje, gira em torno de R$900 a R$1,3 mil o m². “Estamos incentivando a vinda de prédios com padrão de médio a médio alto. Mas, como há poucas áreas com esse perfil na orla da praia, o valor do metro quadrado está sendo cada vez mais valorizado. É a lei da oferta e da procura”, diz Bichir.

Com um empreendimento de dois blocos de dez andares num total de 135 apartamentos, em fase final de acabamento, e 70% dos apartamentos já vendidos, o engenheiro João José Rodrigues da Silva, da Construtora JDR, é um dos que apostam nessa nova fase. Tanto, que já prepara o lançamento de mais um prédio, desta vez no bairro nobre Maitinga, onde são permitidas edificações com até seis andares. “O mar é um grande atrativo e um empreendimento puxa o outro. A Riviera de São Lourenço também funciona como um chamariz, quando as pessoas não conseguem comprar lá, vêm para cá”, diz.

Enseada Bertioga

Se depender da iniciativa privada, os investimentos em bons produtos deve continuar. “Os investidores entendem que a cidade tem muito a crescer e estão apostando nisso. Um exemplo é que, hoje, os moradores da Riviera já se interessam em investir no centro de Bertioga. Já há um mercado para acreditar e se fixar”, diz o empresário do setor imobiliário Anselmo Aragon, um dos investidores do grupo que acaba de lançar o edifício Privilege, no bairro Jardim Rio da Praia. Um prédio de 10 andares, com 64 apartamentos e diversas áreas de lazer e serviços. Para ele, nos próximos dez anos haverá cerca de 30 prédios na região da orla da praia, entre o centro e o bairro Jardim Rio da Praia, onde está localizada a Colônia de Férias Ruy Fonseca – o Sesc Bertioga.

No Bairro Maitinga é permitida construção de prédios de até seis andares frente ao mar

O grupo Costa Hirota e Ramon Alvarez é um bom exemplo da migração de empreendimentos da Riviera de São Lourenço para o centro da cidade. “Bertioga está passando por uma grande transformação”, afirma José Luiz Hirota, um dos sócios da Costa Hirota, construtora que tem forte atuação na Riviera desde 1986 e que, agora, aposta no mercado da região central. Ainda este ano, a empresa deverá anunciar o lançamento de um prédio de dez andares, com cerca de 100 apartamentos, com alto padrão de qualidade. “Nós detectamos que o centro de Bertioga tem muitas possibilidades, principalmente por conta da revitalização da orla e da proximidade da região com o escritório da Petrobras, em Santos. Apostamos nesse potencial comprador e já estamos estudando outros lançamentos para os próximos anos”.

Ramon Alvarez, do setor imobiliário, diz: “Sem dúvida, há um movimento de empresários que já se aperceberam de novos horizontes em nossa cidade. Nós acreditamos nesse potencial para atrair moradores, principalmente tendo em vista o setor de petróleo e gás, devido à posição geográfica estrategicamente desfrutada por Bertioga, alémde um turismo de qualidade com sensível aumento do setor veranista. É uma evolução que acontecerá quer queiramos ou não”.

A corrida pelas poucas áreas ainda existentes alterou o valor de mercado do metro quadrado da orla da praia

Corrida por áreas

O setor imobiliário prevê que, em uma década, haverá cerca de 30 novos prédios na região da orla

Empresários do setor afirmam que há uma verdadeira corrida por áreas em Bertioga. Mas o que move toda essa movimentação? Uma das respostas está no megaempreendimento Riviera de São Lourenço, responsável pela atração de grandes investimentos para a cidade, desde 1979. Acontece que 65% de sua área está urbanizada, e a Zona Turística, destinada a prédios, já está praticamente toda implantada. A criação do Parque Estadual Restinga Bertioga – PERB, a revitalização do calçadão da orla, com projeto assinado pelo renomado arquiteto Ruy Ohtake, e as expectativas de crescimento geradas pela exploração da camada do pré-sal, também são apontadas como incentivos para a migração da construção civil à região central da cidade.

Engenheiro José Rodrigues

O empresário do setor imobiliário Anselmo Aragon

Em relação ao poder público, os empresários dos setores imobiliários e da construção civil são unânimes em pleitear uma contrapartida em investimentos por parte da prefeitura de Bertioga. Nesse sentido, o secretário municipal de Habitação, Planejamento e Desenvolvimento Urbano José Marcelo Ferreira afirma que a administração municipal tem várias frentes de trabalho em andamento com foco na modernização do centro da cidade. “Estas obras também funcionam como um condão de desenvolvimento para os demais bairros. Estamos fazendo revisões em

alguns projetos para que estes contemplem a qualidade de vida em rede de esgoto, drenagem e pavimentação”.

José Marcelo afirma que modernização do centro da cidade é prioridade atual

Uma planilha fixada na sala do secretário relaciona mais de 37 obras na cidade. Do total, 12 estão em andamento, as demais aguardam licitação. Entre as principais, figuram os projetos de revitalização da orla da praia e avenidas 19 de Maio, Anchieta, Vicente de Carvalho, Tomé de Souza, Oswaldo Cruz e João Ramalho, respectivamente, com intervenções de recapeamento, drenagem, ciclovia, estacionamentos e paisagismo. Entre as necessidades emergenciais, encontra-se a construção de uma rodoviária e de três terminais de ônibus.

Prédios frente ao mar têm o privilégio da proximidade com o verde

 


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