Terra arada, fazendas, animais pastando livres nos campos e um povo tranquilo e amigável, sempre disposto a uma boa prosa. Acredite! Estamos em Itanhaém, cidade litorânea e muito procurada por suas inúmeras e belas praias.
Texto e fotos: Flávia Souza
Numa viagem de cerca de 10 km a partir do centro do município, no sentido do interior da cidade, chega-se à região conhecida como microbacia hidrográfica do Rio Branco, com mais de 17 mil hectares, a qual concentra grande atividade agrícola. São inúmeros sítios e fazendas, nos quais reina a plantação de banana e palmito pupunha, mas com muito espaço ainda para outras culturas, como batata-doce, berinjela, inhame, chuchu e pimenta vermelha, entre outros.
Oriundas da agricultura familiar, essas áreas de plantações e pastos são fontes de renda para 570 famílias, segundo dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (LUPA 2008). Toda produção é comercializada aos sábados, na Feira do Agricultor Familiar, que acontece no estacionamento do Paço Municipal, no centro da cidade. No local, também estão disponíveis derivados artesanais como bolos, pães e sucos, além de pescados.
Escolha certa
Há quatro anos no cultivo de pupunha, Maximino Gonçalves de Jesus, conhecido por Massu, é um dos pioneiros desta produção em Itanhaém. Iniciou com poucas mudas, a fim de avaliar o resultado. A iniciativa foi tão acertada que, hoje, o agricultor conta com uma área de 4,6 hectares da palmácea, e colhe anualmente uma média de 10 mil quilos do produto.
“Eu já tinha plantado maracujá, chuchu e mandioca, mas nenhum desses cultivos me convenceu. Confesso que fiquei surpreso com o pupunha, pois ele não é muito exigente. Outra vantagem é que o primeiro corte acontece a partir de 18 meses de plantio. Depois disso, os brotos crescem rápido e permitem uma produção permanente; ele pode voltar a ser colhido a cada dois meses”.
Outra conveniência do palmito pupunha é que ele pode ser plantado por qualquer pessoa, diferentemente do que acontece com a espécie juçara. Nativo da região, o juçara só deve ser cortado após sete anos e, ao se retirar o palmito, mata-se a planta. Como está ameaçado de extinção desde a década de 1980, este tipo de palmeira só pode ser plantada se o agricultor obtiver registro do Ibama.
Massu também cultiva diversos tipos de legumes, além da pimenta vermelha que, por ser sensível a baixas temperaturas, só deve ser cultivada nos meses de calor.
Itanhaém também é forte na horticultura, suínocultura e bubalinocultura, ou seja, criação de búfalos. O engenheiro agrônomo Odil Vasquez há 40 anos cria búfalos no município. “Já criei vários animais aqui, mas acabei descobrindo que o búfalo é quem se adapta melhor ao nosso clima”.

Atualmente, ele contabiliza cerca de 400 cabeças. Na fazenda São Pedro, da qual é proprietário, 10 funcionários auxiliam no cuidado com os animais e três trabalham na produção de derivados do leite. A fazenda produz cerca de mil quilos de queijo por mês, comercializados na própria
cidade para pequenos comerciantes, como pizzarias e empórios.
Vasquez é presidente da Associação de Produtores Rurais de Itanhaém e afirma que o setor agrícola cresceu consideravelmente nos últimos quatro anos, e fortaleceu os agricultores. Ele diz que uma fábrica de processamento de palmito será instalada, em breve, na zona rural. E que
o próximo passo deverá ser dado pelos produtores de banana, que já discutem a possibilidade de criar uma cooperativa.
Serviços: a Feira do Agricultor funciona aos sábados, das 7 às 16 horas, no estacionamento do Paço Municipal, na Avenida Washington Luiz, 75, Centro.
Turismo rural
O surfista Marcus Souza Ferreira, presidente da ONG Ecosurfi – Entidade Ecológica dos Surfistas, vê no interior de Itanhaém um forte potencial para desenvolver o turismo rural e ecológico com base comunitária. “Localizadas no entorno dos limites do Parque Estadual Serra do Mar, essas propriedades mantêm um estilo de vida típico de regiões interioranas, o que é um forte atrativo para quem imagina que Itanhaém só tem praia”.
Com um projeto que visa o desenvolvimento do pólo de turismo ecológico e rural de Itanhaém, a ONG iniciou o processo de diagnóstico participativo da comunidade, com o objetivo de conscientizar os moradores das áreas rurais sobre a importância de aproveitar de maneira sustentável os recursos naturais existentes.Associação de Produtores Rurais de Itanhaém afirma que uma fábrica de processamento de palmito será instalada na região




