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Bolsa é assunto de mulher, sim!

Bolsa é assunto de mulher, sim!

Por Belisa Barga

Até a década passada, Bolsa de Valores era assunto estritamente masculino, com raríssimas exceções. A imagem que ilustrava o tema era de um bando de indivíduos jovens, de terno, e berrando no meio de uma sala, cada vez que o gigantesco painel atualizava as informações. Hoje, a gritaria deu lugar a olhares atentos a monitores individuais (tudo é feito eletronicamente) e as mulheres enfeitam as salas, lado a lado com os representantes masculinos, além de investirem ativamente neste mercado de ações.

Na verdade, a mudança é decorrência do novo papel desempenhado pela mulher em todos os setores da atividade humana, nas últimas décadas. “Os homens eram os únicos encarregados de cuidar das finanças, mas a partir da 2ª Grande Guerra, as mulheres passaram a fazer parte desse cenário. Por ser recente, muitas ainda acreditam que investir em ações, ou em novos produtos, não é para elas. Mas aquelas que investem, se saem muito bem”, explica Vera Rita de Mello Ferreira, doutora em psicologia econômica. De acordo com Vera, hoje as mulheres chefiam quase 20 milhões de famílias – aproximadamente três de cada dez lares, e coordenam o orçamento doméstico.

Atentas às mudanças, as empresas segmentaram os investimentos em produtos específicos para elas. “A entrada da mulher no mercado de trabalho e de ações fez com que corporações mudassem a abordagem, o marketing, o atendimento. Hoje, a maioria das famílias as tem como responsáveis pela decisão de compras. No mercado de ações, não seria diferente”, explica Mariana Prates, economista e colunista de um site de investimentos.

Mulheres em ação

Em 2002, a BM&FBovespa percebeu essa tendência e lançou uma pesquisa para conhecer melhor este novo aspecto ligado à mulher atual. O resultado norteou o pioneiro projeto ‘Mulheres em Ação’, campanha que incentiva a entrada das mulheres na Bolsa de Valores. A assessoria de imprensa da Bovespa informa que não há valor mínimo exigido para iniciar um investimento, pois varia conforme o preço da ação desejada ou da corretora escolhida. Existem ações de boas empresas comercializadas por R$ 39,00 a cota.

Ainda em menor número no mercado de ações, em comparação aos homens, Mariana Prates diz que elas estão preparadas para enfrentar as turbulências econômicas mundiais sem desistir do investimento, já que, antes de comprar, pesquisam se a empresa é lucrativa, acompanham o mercado e pensam em longo prazo. Por exemplo, como seus filhos serão impactados caso determinada empresa cresça, explica a economista.

Por estarem inseridos no mundo do dinheiro há mais tempo, os homens são autoconfiantes na hora de aplicar, o que nem sempre é um bom negócio. As mulheres costumam ser mais bem sucedidas no mercado de ações. “Os homens pensam saber tudo e agem mais como investidores; elas não se sentem com essa obrigação. São mais conservadoras; só investem de forma tão arrojada quanto eles quando se sentem seguras de que farão um bom negócio”, explica Vera Rita.

Outros fatores que as tornam melhores investidoras são a resistência em resgatar valores nos momentos de queda ou euforia momentânea do mercado e não se desesperarem em períodos de crise. Vera diz que os homens costumam operar via home broker (ordens feitas pela internet) e passam o dia vendendo e comprando ações apenas pelo lucro imediato, e isso nem sempre compensa, em virtude das taxas e impostos gerados a cada operação. Já as mulheres aplicam com o intuito de reaver os lucros em longo prazo, pensam no futuro dos filhos e, consequentemente, operam menos.

A Bovespa desenvolve um trabalho de educação financeira, para orientar o planejamento do orçamento doméstico, organização das finanças, e como gastar menos do que se ganha para viabilizar a concretização de grandes objetivos – a compra de um imóvel, curso de especialização, projeto futuro, melhorar a aposentadoria ou até mesmo reservar dinheiro para uma emergência. Demonstra como o investimento em ações contribui para a expansão das empresas de capital aberto e para o fortalecimento da nossa economia.

 Clube da Luluzinha

Bovespa desenvolve trabalho de educação financeira

Para quem não quer investir sozinha, existem os clubes de investimentos que permitem somente a participação de mulheres, como o Meninas com Dinheirama, um dos mais de dois mil clubes criados após o Mulheres em Ação.

A ideia do clube é familiarizá-las com o mercado de valores e mostrar como é simples investir em ações. Mariana diz que “aplicar na Bolsa não quer dizer dinheiro fácil. Podemos ou não ficar ricos, abrindo uma empresa, com a mega-sena, trabalhando. Por que não acreditar que também é possível com a Bolsa?”. Explica, ainda, que os ganhos dependem do tempo de aplicação, da empresa escolhida e da economia.

Uma boa sugestão para ganhar na Bolsa e construir um patrimônio futuro é ter um plano de investimentos, ou seja, comprar poucas ações por mês durante um bom tempo. Dependendo da quantidade de ações possuídas e do lucro das empresas, é possível ganhar valores significativos. Para Ricardo Pereira, sócio do Clube de Investimento Dinheirama, sorte é um componente sempre bem-vindo, mas o fundamental é a participação efetiva do investidor no planejamento das aplicações. “Nos Estados Unidos, existem clubes de investimento que fizeram muito sucesso por serem feministas, como o caso das senhoras de Beardstown, já sexagenárias. Aqui, existem clubes e revistas voltados a esse público com bons resultados ”.

O primeiro passo para entrar no mercado de valores é procurar uma corretora, responsável pelas ordens de compra e venda das ações, ou por intermédio do banco com o qual trabalha. O crescimento no número de investidoras tem provocado alterações no setor e algumas corretoras mantêm mulheres nas mesas de operação para atender o público feminino; algumas oferecem investimentos para jovens, que podem aplicar suas mesadas.

Serviço: para outras informações, acesse: bmfbovespa.com.br/mulheres ou dinheirama.com/agenda.

Boas dicas

Acompanhar os investimentos também é simples e pode ser feito on-line. Vale lembrar que o mercado oscila, portanto, recomenda-se investir valores que não sejam economias para projetos com urgência de realização e, sim, quantias excedentes que possam ser resgatadas em longo prazo, além de sempre buscar orientação de profissionais do setor. Uma boa hora para entrar na Bolsa é quando o mercado está turbulento, para comprar ações em baixa e vendê-las nos momentos de estabilidade. E sempre comprar poucas cotas, para evitar grandes prejuízos caso algo não saia como planejado. A Bolsa, embora ofereça possibilidades de ganhos, é um investimento de risco e, como tal, suscetível a perdas.

 


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