Close

Not a member yet? Register now and get started.

lock and key

Sign in to your account.

Account Login

Forgot your password?

Biblioteca verde

Sabe aquele mato que cresce em seu quintal? Será que é apenas mato, ou, talvez, seja uma erva capaz de fazer maravilhas para sua saúde ou para sua mesa? A resposta pode ser dada pelo professor Pedro Menezes do Nascimento, coordenador cultural e tecnológico das oito bibliotecas públicas de Guarujá, e autor da brilhante ideia de criar uma horta fitoterápica dentro do espaço da Biblioteca Geraldo Ferraz, em Vicente de Carvalho.

texto e fotos: Flávia Souza

Ele aproveitou uma área externa de 60m2 e lá plantou mais de oito mil mudas de variadas espécies. Metade da área é composta por canteiros e, a outra, por estufas para reprodução. Das 127 espécies de ervas encontradas no local, 47 estão na lista de plantas autorizadas para uso medicinal pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária

Os professores Pedro e Ângela no cuidado diário com a horta fitoterápica

(Anvisa). O espaço, que antes era visto como um brejo, hoje gera vida e

conhecimento para a comunidade.

Pedro conta que não se conformava com o espaço ocioso e resolveu transformar a área num refúgio verde. Agregou parceiros para colocar o projeto em prática e, em pouco tempo, formou uma equipe com biólogo, engenheiro agrônomo, farmacêutico e ervanário. Com o objetivo de divulgar a horta, a equipe visitou diversas casas da comunidade e aproveitou para pesquisar o que as pessoas tinham plantado nas residências. A maioria nem sabia que possuía ervas benéficas em casa.

Criada há um ano e meio, a horta foi um chamariz para aumentar a frequência na biblioteca, baseado num conceito de ensino com ênfase na interatividade e interdisciplinaridade. Deu certo. Em dias de visitação, os 31 funcionários do espaço ficam envolvidos com as atividades direcionadas. Mais do que ver plantas, as crianças recebem conhecimentos práticos para toda vida sobre botânica, bioquímica e meio ambiente.

Ângela Madalena de Lima, professora e bióloga, há muito cultivava o sonho de ter uma horta para ensinar sobre a natureza de forma prática. Ela diz: “Quando vi esse espaço e no que ele estava se transformando, fiquei encantada; sinto-me realizada em fazer parte disso”.

A ansiedade costuma ser geral quando os estudantes descem do ônibus escolar na porta da biblioteca. A primeira parada é na horta, onde passam a conhecer a planta pela forma, nome e cheiro. Ali descobrem, por exemplo, que erva lavadeira (também conhecida como melão de São Caetano) combate piolhos e era usada pelas escravas para lavar roupas, devido ao perfume que exala.

Junto com os ensinamentos vêm as advertências dos professores sobre o uso das plantas de forma indiscriminada e o conselho para se pesquisar em livros especializados sobre como utilizar cada erva; a própria biblioteca dispõe de uma estante exclusiva de livros sobre o assunto. Orientam, também, a consultar um médico ou nutricionista

Visitas proporcionam às crianças conhecimentos práticos sobre botânica, bioquímica e meio ambiente

antes de fazer uso de alguns tipos de chás, pois, tanto podem ajudar como agravar um problema. Bons exemplos são os chás verde, vermelho e branco – bebidas da moda que não são indicadas para quem tem hipertensão. Outros, como o de camomila, hortelã e erva-cidreira, não trazem qualquer problema.

Serviço: a biblioteca Geraldo Ferraz fica na Rua Ceará, s/n, Jardim Santense, no centro de Vicente de Carvalho. Visitas monitoradas podem ser solicitadas pelos telefones (13) 3386 6041 e (13) 3341 7845. Para saber mais acesse www.bibliotecasdeguaruja.blogspot.com

Aula que é pura diversão

Na hora do lanche, os estudantes vão para uma sala onde é servido um chazinho de capim-limão (também conhecido como cidrão), e aprendem mais sobre esta erva que substitui o limão em refrigerantes de soda. Depois, ouvem histórias contadas pelos professores.

Quando pensam que a aula terminou, chega a professora Ângela para o próximo ritual. Tirinhas de filtro de café são distribuídas para que os estudantes as mergulhem numa mistura de água, suco de beterraba e outros vegetais.

Com uma das pontas da tira para fora do copo e a outra em contato com a mistura, os alunos veem nascer a cor. Na mesma expe-

riência, estudam como a água sai da raiz de uma planta e chega às folhas e ainda ouvem sobre capilaridade das plantas, fotossíntese, evaporação e clorofila. Ah, eles também aprendem como os índios utilizam o urucum para pintar o próprio corpo e objetos artesanais.

 


Deixe um comentário