Por Eleni Nogueira
Fotos Pedro Rezende
A santista Eliana Ribeiro Vergara tem um estilo de vida incomum. Desde 1985, mantém a rotina de, às sextas-feiras, religiosamente, abandonar o conforto da vida urbana para, sozinha, passar os finais de semana na pesada lida com a manutenção de 50 alqueires do Sítio Vergara, localizado na região da Fazenda Pelaes, a 500 metros da casa de força da Usina de Itatinga.

Os Vergara na lida com a fazenda de bananas e, abaixo, Eliana que quer manter viva a história de sua família
O que parecia um capricho pessoal, tornou-se um objetivo maior: manter viva a história de sua família, bananicultores que viveram o auge do cultivo e exportação da fruta entre as décadas de 1930 e 1970. Deste período, sobraram algumas relíquias, como fotos antigas, a casa de madeira de lei, conhecida como Casa Nova, construída em 1928, e que ainda mantém suas características originais e móveis, além de algumas peças de embarcações, do estaleiro e equipamentos de uso manual. “Uma pena que, com a decadência do ciclo da banana, a minha família tenha vendido muita coisa, como o estaleiro, os trilhos, os troles… Eles interromperam tudo, não acreditavam em outro mercado. Agora nós temos o ecoturismo”.
Eliana conta que seu avô José Vergara comprou parte das terras em negociação pessoal com Eduardo Guinle. “Isso aqui tudo eram extensos bananais. Uma economia forte na região, que teve seu declínio por conta dos altos preços da fruta na década de 1970. Isso fez os agricultores abandonarem o negócio. Não valia mais a pena manter as fazendas, sobretudo as de exportação”.
A ideia de Eliana é criar um museu dedicado a um passado não muito distante, quando a banana movia a economia local. Toda a colheita era transportada em troles puxados a mão por linha férrea e, depois, disposta em batelões que enfeitavam o rio Itapanhaú, deslizando lentamente para o porto de Santos, de onde as frutas seguiam, principalmente, para a Argentina.
O projeto da herdeira vai além; ele inclui a descida pela trilha do Parque das Neblinas, passeio pelo rio Itapanhaú, receptivo no museu com a história do local, e almoço na residência. “Minha preocupação maior é passar para a frente a importância da biodiversidade e da história desse lugar. Isso aqui é lindo, um patrimônio”.

