Bertioga reafirmou sua vocação ambiental ao criar, no final do mês passado, o Parque Municipal Ilha Rio da Praia, com 216,56 hectares, equivalente a mais de dois milhões de metros quadrados. O espaço, também chamado de ‘ilha fluvial’, faz divisa – por meiode rios – com parte da área do Parque da Restinga e com a da Serra do Mar, o que aumenta ainda mais todo esse corredor natural.
Por Lúcia Bakos
fotos: Pedro Rezende
O engenheiro florestal e secretário municipal de Meio Ambiente de Bertioga Rogério Leite ressalta o contínuo ambiental formado a partir dos três núcleos de áreas de preservação em Bertioga, os parques da Serra do Mar, da Restinga e o do Rio da Praia. “Esse é um dos pontos fortes. Foi comemorado, inclusive, pelo pessoal da Fundação Florestal (responsável pela criação do Parque Estadual da Restinga). É uma célula municipal, com vegetação tanto de mangue quanto de alta e baixa restinga, banhada por dois rios. Vamos ter uma situação de estuário para colaborar com o parque estadual. Acho que ganhamos todos”.
O Parque Municipal fica bem próximo de território urbano, entre os bairros Vista Linda e Jardim Rafael, ladeado por dois rios, o Itapanhaú e um de seus afluentes, o Rio da Praia, também chamado de Rio da Prata. E passear por seu território é gratificante e delicioso, tal a multiplicidade de belezas vegetais e animais que se pode desfrutar.
O acesso fluvial pode ser feito pelo rio Itapanhaú ou por terra, pelo bairro Vista Linda. O rio da Praia, afluente do Itapanhaú, ainda concentra jacarés de papo amarelo (em risco de extinção) e grande quantidade de robalos. Ambos os rios são ladeados por vegetações de mangue, alto e baixo de restinga, cenários de espetacular beleza natural.

O acesso fluvial ao parque é feito pelo rio Itapanhaú, ladeado por vegetação de mangue. Técnicos ambientais em visita à área
Aves de todos os tipos, como guaxe, tucanos- de- bico- verde e o toco, pouco visto na região (pretos, com o peito branco e bico laranja, mais comum no bioma cerrado), além de saracura-três-potes, tié-sangue e martim-pescador, são um colírio para os olhos.
Embora não seja nativo, um bando de pássaros colhereiros-rosa, também sobrevoa os barcos da reportagem e dos técnicos, dando as boas-vindas. De acordo com dados do Setor de Aves da Fundação Parque Zoológico de São Paulo, a presença dessa espécie “é um indicador da boa qualidade ambiental, pois é muito sensível e não resiste à poluição e à contaminação do meio ambiente, principalmente da água.
Próximo à “ilha fluvial”, apelido dado ao parque, enfeitam o ambiente a delicadeza esbelta das garças brancas e os atrapalhados caranguejos- uçá (conhecidos como ‘chama-maré’, em razão de se locomoverem, dando a impressão de sinalizar com uma das patas), constantemente em movimentação pela lama do manguezal.
Projetos a caminho
Entre os principais projetos a ser desenvolvidos no Parque Municipal Ilha Rio da Praia, inserem-se os de cunho turístico, baseados no conceito de uso sustentável. O principal deles é a implantação da sede do Núcleo Orquidófilo de Bertioga, o NOB. Outra ideia diz respeito à meliponicultura de abelhas indígenas sem ferrão, com ganhos para a sociedade, uma vez que o mel extraído desse inseto tem grande valor nutricional e financeiro.
O plantio e cultivo de plantas medicinais da Mata Atlântica, do palmito jussara (para obtenção da fruta do palmito, que tem rica concentração de vitamina C) e do fruto cambuci são outras possibilidades futuras no parque municipal, além da soltura de animais silvestres e base para educação ambiental. A decisão do destino da área, entretanto, só deve sair num prazo de três meses.
Parque da Restinga
Com o status obtido em dezembro do ano passado, a partir de decreto estadual, a área, com mais de nove mil hectares (cerca de 90 milhões de m²), recebeu o nome de Parque Estadual Restinga de Bertioga. Ela se limita entre Itaguaré, Guaratuba e São Lourenço, da orla ao sopé da serra, e faz divisa com o Parque Estadual da Serra do Mar, o PESM, excluídos apenas os espaços ocupados por rodovias federais ou estaduais, redes de alta tensão e dutos da Petrobras. Abriga, em seu espaço, outro tipo de unidade de conservação, as chamadas Reservas Particulares de Proteção Natural (RPPNs), recém-aprovadas (matéria página 32).
Sua riqueza vai além da exuberante flora, que abarca 44 espécies ameaçadas de extinção, para englobar considerável quantidade de fauna: nove aves, incluindo a jacutinga, macuco, araponga, sabiá cica e papagaios moleiro e do mangue; 14 anfíbios; 25 mamíferos, como anta, cateto, queixada, veado mateiro e macacos-prego, mono-carvoreiro e bugio ou barbado; e seis diferentes tipos de morcego. Há mais: a necessidade de proteção das sub-bacias dos rios Itaguaré e Guaratuba, e dos sambaquis identificados, que evidenciam a ocupação por povos pescadores, coletores e caçadores, que pode remontar a cinco mil anos.
A princípio, o gestor do Núcleo São Sebastião do PESM responde pelo monitoramento do Parque Estadual Restinga de Bertioga. “Entretanto, já foi iniciado processo seletivo para a contratação de um gestor exclusivo para o parque”, assegura Ana Carolina Honora, gerente de Conservação Ambiental – Serra do Mar, Litoral Norte, Litoral Centro e Mantiqueira – da Fundação Florestal. Ela garante que o estado mantém conversa com a prefeitura local no sentido de se firmar convênio para o desenvolvimento de uma gestão compartilhada.
Recursos estaduais, segundo afirma, estão previstos e, para 2011, o Parque Estadual já conta com verba de compensação ambiental no montante de R$ 1 milhão.




BERTIOGA NO CAMINHO CERTO, ESPERAMOS COM PESSOAS CERTAS INDEPENDE DO RAMO DE PROFISSÃO, MAS PREOCUPADA COM MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE, ITENS QUE CONVERSAVA COM EMANCIPADORES A CERCA DE 20 ANOS, NOS MEUS 22 ANOS, VIA UM FUTURO BEM MELHOR PARA CIDADE, DEMORA MAS ESTÁ ACONTECENDO.