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Jovens cineastas

“Existe uma linha que separa dois mundos. Em um típico cenário urbano, uma bela jovem se depara com uma situação inesperada, na qual ela tem a opção de poder mudar a realidade”.

Texto Flávia Souza

Assim a equipe da Phanton Films

define a mensagem contida do curta-metragem Coss The Line, destaque no Festival de Cinema Possible Futures Film Contest, realizado na Califórnia (EUA), no final de julho. A produtora de Praia Grande, única representante da América Latina, teve o mérito de ver seu filme classificado entre os cinco melhores da categoria Human Fulfillment, concorrendo com produções de 44 países.

O feliz desfecho coroa um trabalho iniciado há oito anos, quando o publicitário e fotógrafo Alyson Montrezol começou a realizar filmes para clientes. Primeiro atuou como diretor de fotografia em documentários e curta-metragens, mas logo foi “picado pelo bicho do cinema” e passou a dirigir e produzir seus próprios filmes.

Desde então, seu panorama profissional mudou e o currículo do jovem de 33 anos, que também é professor universitário, conta hoje com 15 produções, sendo que três receberam premiações em festivais nacionais.

O diretor Alyson Montrezol

O músico Matheus Ortega

O diretor de fotografia Allan Montrezol

Cross The Line é uma delas, e, além de classificar-se entre os cinco melhores no Possible Futures, também ficou entre as primeiras no 9º Curta Santos, realizado em setembro passado. “O filme foi muito bem produzido e merece destaque pela qualidade e profissionalismo. Não deixa nada a desejar para produções das grandes cidades”, declarou José Claudio Pimentel, diretor de Comunicação do Festival Curta Santos. Segundo ele, o evento deste ano contou com cerca de 250 produções; dessas, aproximadamente 30 mostraram um trabalho de qualidade. “Entre elas destacamos obras como a apresentada pela Phanton”.

Por dois anos consecutivos a produtora, por meio de seus diretores, foi premiada no festival santista. Em 2010, levou o prêmio de Melhor Direção de Videoclipe na categoria Brasilis e, em 2009, recebeu o prêmio na categoria Olhar Caiçara Universitário.

Primeiro longa da equipe, previsto para 2012, contará histórias de superação. Documentário começou a ser rodado no Haiti

O curta deste ano, que aborda a desigualdade social, foi rodado nas ruas do centro histórico de Santos e na cidade de São Paulo. Dirigido por Montrezol, com argumentos e trilha sonora de Matheus Ortega, a película contou com vários profissionais da região no elenco e nos bastidores. “Acredito que a Baixada Santista tem potencial para se tornar um pólo cinematográfico”, afirma o diretor.

Reflexão social

De acordo com Montrezol, a proposta de Cross The Line é fomentar uma reflexão sobre a indiferença dos jovens em relação à sociedade. “A ideia é incentivar o jovem a sair da apatia e cruzar a linha, fazer a diferença no mundo. Ainda acredito em um futuro melhor”, enfatiza.

Com aproximadamente seis minutos, o curta foi produzido com apoio do Global Changemakers, programa internacional patrocinado pelo Conselho Britânico, uma organização oficial do Reino Unido que desenvolve várias iniciativas educacionais e culturais, como incentivo ao ativismo social de jovens em prol da comunidade.

O social, aliás, é uma das bandeiras do jovem cineasta, que planeja lançar em 2012 seu primeiro longa, no qual contará histórias de superação. No documentário, que começou a ser rodado no Haiti dois meses após o forte terremoto assolar o país no início de 2010, Montrezol mostrará fases da vida de algumas pessoas, da tragédia à superação. Para tanto, já fez três viagens ao país e planeja fazer outras duas captações, para só então finalizar e montar a película.

“O teaser dessa produção já pode ser encontrado na internet. O filme não fala sobre a tragédia, porque isso todo mundo já mostrou. Meu enfoque é a esperança. Quero mostrar que mesmo naquela situação de extremo caos, existem pessoas que ainda têm vontade de viver, que não perderam a fé e a esperança na reconstrução de um país digno. Desejo sensibilizar e contagiar os espectadores com motivação”, explicou.

Projeções

Além de classificar-se entre os cinco melhores no Possible Futures, a produção também ficou entre as primeiras no 9º Curta Santos, realizado em setembro passado

A ideia de documentar o Haiti e suas necessidades é anterior à tragédia, mas Montrezol mudou seus planos após janeiro de 2010. “Quando fomos ao país, sabíamos o que iríamos encontrar, mas quando nos deparamos com todo aquele caos houve um choque muito grande. Além da fome, que é terrível, as pessoas não contavam com água encanada, luz elétrica, serviço de coleta de lixo. O país parou. A sujeira e o esgoto transbordavam nas ruas. Era uma miséria muito grande numa cidade que é metrópole, uma situação difícil de descrever”.

O diretor, que está produzindo o documentário com recursos próprios, foi ao país acompanhado de sua equipe, composta pelo músico Matheus Ortega, pelo diretor de fotografia Allan Montrezol e pelo editor de imagens Leandro Prado.

O impacto da situação foi tanto, que inspirou Ortega na composição da música Revolução do Amor, premiada ano passado no Curta Santos, e também por Cross The Line. “Dois projetos premiados nasceram como resultado dessa viagem ao Haiti. O curta também tem nos rendido ótimos resultados, já que muitas outras pessoas em todo o Brasil têm usado o filme na abertura de conferências. Quero gerar reflexão e inquietação para as pessoas através da minha arte”, almeja o produtor.

Serviço: para conhecer melhor o trabalho da Phanton Films, acesse www.phanton.art.br

Concurso

O Possible Futures Film Contest define-se como um concurso mundial de filmes sobre visões de um futuro positivo para a humanidade. É um evento cinematográfico novo e ousado, que desafia cineastas de todo o mundo a contar histórias que estimulem reflexões e mudanças benéficas nas pessoas, no planeta e em seus ecossistemas. O concurso não classifica os filmes em categorias convencionais, conforme gêneros ou estilos, mas sim de acordo com temas sociais. Vale lembrar que a comissão julgadora, que conta com profissionais renomados na área cinematográfica, escolheu 20 filmes (sendo cinco em cada uma das quatro categorias) e premiaram dois, além dos escolhidos pelo júri popular. Teoricamente, todos os finalistas foram considerados vencedores.

 


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