Foi mesmo em decorrência de uma paixão que ela nasceu na cidade de Anam, como conta uma lenda originada, provavelmente, na Indochina. A bela jovem Hoan-Lan, fria e distante, desprezava a todos os homens que lhe ofereciam seu amor, levando-os, inclusive, ao suicÃdio. Um poderoso deus decidiu castigá-la, fazendo com que se apaixonasse pelo formoso Mun-Say, que a ignorou. Decidida a se vingar, procurou ajuda com uma bruxa, que, no entanto, transformou o jovem numa árvore de ébano. Durante muito tempo, Hoan-Lan chorou enlaçada à árvore, até que um deus dela se compadeceu e a transformou numa flor, cujo destino estaria para sempre ligado ao seu hospedeiro.
Esta flor é a orquÃdea, cujo nome origina da palavra grega orkhis, que significa testÃculo, outro dado exótico que permeia esta bela espécie de planta. Sua história data de milhares de anos, de acordo com o Centro Paulista de Orquidófilos (CPO), a mais antiga associação orquidófila do estado de São Paulo. No terceiro século antes de Cristo, as orquÃdeas já eram usadas na alimentação por conter supostos poderes afrodisÃacos.
O fascÃnio do homem por esta planta atravessou os séculos e, até hoje, ela é admirada e cultivada como uma preciosidade dentre as espécies vegetais. De formas, cores, texturas e tamanhos incrÃveis, sua variedade parece ser infinita, uma vez que, de tempos em tempos, descobre-se um novo tipo de orquÃdea.
Como a jovem Hoan-Lan, ela é difÃcil de cultivar, cresce distante no meio das matas, temperamental no trato, mas fascinante. Provavelmente, por tudo isso é que as orquÃdeas motivam tanta paixão.
Eleni Nogueira
