Busca:
 
 
 
     

 SERVIÇOS
  Área Restrita
  Fale Conosco
  Edições Anteriores

 PRINCIPAL
  Ao Leitor
  Arte
  Aventura
  Beleza
  Comportamento
  Cultura
  Decoração
  Educação
  Esportes
  Fórum
  FotoNatural
  Gastronomia
  Gourmet
  Have Fun
  História
  Índice
  MegaPixel
  Meio Ambiente
  Midia Kit
  Moda e Beleza
  Negócios
  Passado
  Praias do Litoral
  Principal
  Rocambole
  Rota Gourmet
  Saúde
  Turismo

 CANAIS
  Portal
  Rádio
  TV

  Meio Ambiente
 Itaguaré resiste bravamente

O litoral de Bertioga guarda uma jóia de mais de 123 mil anos. A praia de Itaguaré, uma das mais antigas planícies costeiras do país, ainda mantém resquícios de paleopraia, graças ao fato de ter permanecido relativamente livre da ação humana ao longo desse período

Por Marcus Neves Fernandes
Fotos
Pedro Rezende

O estudo sobre o local, recém-concluído, foi feito pela pesquisadora Celia Regina de Gouveia Souza, do Instituto Geológico, órgão da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SMA/SP) e aponta que vestígios dessa natureza são raros no Brasil. Até hoje, evidências semelhantes só foram encontradas em alguns trechos remotos do litoral do Rio Grande do Sul.

Além disso, seu inigualável estado de preservação lhe garante o status de última praia ainda preservada de todo o litoral paulista, uma vez que, desde a zona de arrebentação até o encontro com a Serra do Mar, todo o ecossistema se mantém praticamente intacto – apesar da forte pressão do setor imobiliário, ávido pela área para a construção de condomínios de luxo.

Para a pesquisadora Célia Regina, a importância de Itaguaré faz dela hoje o "mais importante corredor de sub-biomas de planície costeira existente no estado de São Paulo". O que significa que, nesse trecho do litoral de Bertioga, é possível encontrar nada menos do que todas as formações vegetais típicas de restinga, além de espécies da flora e da fauna, únicas no mundo.

O último levantamento, feito entre 1998 e 2006 por cientistas da Universidade Santa Cecília (Unisanta), em parceria com o Instituto de Botânica (SMA/SP), catalogou a existência de 611 espécies vegetais em Itaguaré, uma diversidade considerada "muito alta" pelo biólogo Paulo de Salles Penteado Sampaio, da Unisanta. "A título de comparação, em Picinguaba, no litoral norte paulista, são 696 as espécies encontradas. Já na Ilha do Mel, no Paraná, são 555. Ambas, porém, são Unidades de Conservação. O estudo também identificou 10 espécies que constam da lista de plantas ameaçadas de extinção no estado de São Paulo. Outras 32 são consideradas raras e duas representam a primeira ocorrência para nosso estado. Isso ressalta ainda mais a urgência de se proteger essa área".

A professora Celia Regina concorda. "Sabemos que existe muita pressão para ocupar Itaguaré. Mas esta é a última praia ainda preservada em toda a Baixada Santista, desde a faixa de areia até a Serra do Mar".

A ocupação da região, no entanto, segundo Ingrid Oberg, chefe do escritório regional do Ibama em Santos, enfrentará sérias dificuldades com base na legislação ambiental.

Ela diz: "Há várias regras restritivas. Além disso, Bertioga não carece de áreas para esse tipo de expansão. A cidade possui, inclusive, loteamentos ainda não ocupados".

Para Ingrid, caso não seja transformada em UC, Itaguaré seguirá "um modelo perverso" de ocupação, caracterizado pelo chamado ‘turismo de segunda residência’. "Estimular esse tipo de negócio é uma porta aberta para invasões".

A ideia é manter Itaguaré intacta, livre de loteamentos e com acesso controlado de turistas. Dessa forma, além de garantir a preservação de um importante acervo biológico, cada vez mais valorizado no mundo, haveria, ainda, desdobramentos positivos para a economia da cidade e para os empreendimentos já existentes no entorno.

"Preservar áreas verdes é a mais forte tendência hoje no mundo. Onde esse tipo de modelo de desenvolvimento foi aplicado, houve valorização imobiliária", afirma o arquiteto Nelson Lima Júnior (Unisanta).

Atualmente, com base no texto preliminar do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) da Baixada Santista, Itaguaré está dividida em duas zonas. A parte próxima à foz do rio Itaguaré recebeu a classificação de Zona 1 (preservação permanente). O restante, a maior parte da área, a de Zona 4 (destinada para expansão urbana). Assim, se o texto da ZEE for aprovado dessa forma, permitirá a construção de residências e a consequente descaracterização da área.

Animais endêmicos

Estudos realizados ao longo dos últimos anos em Itaguaré indicam a presença de várias espécies de animais endêmicos, ou seja, que não existem em outro local. É o caso, por exemplo, de 13 espécies de anuros (rãs, sapos e pererecas), identificadas por cientistas da USP. A área também é habitat de cerca de 230 espécies de aves, muitas delas aquáticas, que nidificam ao longo dos 12,5 km de extensão do rio Itaguaré. Entre a avifauna, destaque para o tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus - espécie considerada como provavelmente extinta no estado de São Paulo, pela lista vermelha da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Também há registro da presença de jacarés-do-papo-amarelo, jaguatiricas, onças-pardas e onças-pintadas, entre outros mamíferos.

edição 92

[17/02/2010 15:12 - bruno]

 Imprimir Enviar para um amigo Dê sua opinião

 
 Nossos Parceiros









 Arquivo
  Bem mais que divisor entre a terra e o mar 
  Arraia-manta, totalmente fascinante  
  Segredos do belo antúrio 
  De gota em gota... 
  Lágrimas de sereia 
  Itaguaré resiste bravamente 
  Restinga de Bertioga, bem único 
  Vá de bike 
  Copenhague é aqui 
  Vida nova para as garrafas Pet 
  Bertioga, selo verde azul, distinção merecida 
  O som da estação 
  Bambu Alternativa sustentável na decoração 
  Vida sustentável: esperança para um futuro melhor  
  Resíduos de pescado, um negócio promissor 
  Tem pinguim na praia? Tem, sim senhor! 
  Palmeira juçara o fruto contra a extinção 
  E nas fazendas marinhas... É hora de colher os frutos! 
  Natureza não é cinzeiro 
  Em defesa do planeta, a nova arma: sacola retornável  
  Alimentos orgânicos Harmonia entre o homem e a natureza 
  Água do oceano em copinho 
  Lindas, mas perigosas 
  Consumir sim! Mas com consciência 
  Ecopaisagismo, a flora nativa em jardim 
  Compensação ambiental 
  Quanto mais livre, mais belo 
  Do canto do acasalamento à manutenção da espécie 
  Parque Estadual da Serra do Mar 
  Tráfico de animais silvestres: ameaça constante 

::Sistema Costa Norte Comunicação :: ngm.com.br - todos direitos reservados 2007::