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Meio Ambiente
Além disso, seu inigualável estado de preservação lhe garante o status de última praia ainda preservada de todo o litoral paulista, uma vez que, desde a zona de arrebentação até o encontro com a Serra do Mar, todo o ecossistema se mantém praticamente intacto – apesar da forte pressão do setor imobiliário, ávido pela área para a construção de condomínios de luxo. Para a pesquisadora Célia Regina, a importância de Itaguaré faz dela hoje o "mais importante corredor de sub-biomas de planície costeira existente no estado de São Paulo". O que significa que, nesse trecho do litoral de Bertioga, é possível encontrar nada menos do que todas as formações vegetais típicas de restinga, além de espécies da flora e da fauna, únicas no mundo. O último levantamento, feito entre 1998 e 2006 por cientistas da Universidade Santa Cecília (Unisanta), em parceria com o Instituto de Botânica (SMA/SP), catalogou a existência de 611 espécies vegetais em Itaguaré, uma diversidade considerada "muito alta" pelo biólogo Paulo de Salles Penteado Sampaio, da Unisanta. "A título de comparação, em Picinguaba, no litoral norte paulista, são 696 as espécies encontradas. Já na Ilha do Mel, no Paraná, são 555. Ambas, porém, são Unidades de Conservação. O estudo também identificou 10 espécies que constam da lista de plantas ameaçadas de extinção no estado de São Paulo. Outras 32 são consideradas raras e duas representam a primeira ocorrência para nosso estado. Isso ressalta ainda mais a urgência de se proteger essa área". A professora Celia Regina concorda. "Sabemos que existe muita pressão para ocupar Itaguaré. Mas esta é a última praia ainda preservada em toda a Baixada Santista, desde a faixa de areia até a Serra do Mar". A ocupação da região, no entanto, segundo Ingrid Oberg, chefe do escritório regional do Ibama em Santos, enfrentará sérias dificuldades com base na legislação ambiental. Ela diz: "Há várias regras restritivas. Além disso, Bertioga não carece de áreas para esse tipo de expansão. A cidade possui, inclusive, loteamentos ainda não ocupados". Para Ingrid, caso não seja transformada em UC, Itaguaré seguirá "um modelo perverso" de ocupação, caracterizado pelo chamado ‘turismo de segunda residência’. "Estimular esse tipo de negócio é uma porta aberta para invasões". A ideia é manter Itaguaré intacta, livre de loteamentos e com acesso controlado de turistas. Dessa forma, além de garantir a preservação de um importante acervo biológico, cada vez mais valorizado no mundo, haveria, ainda, desdobramentos positivos para a economia da cidade e para os empreendimentos já existentes no entorno. "Preservar áreas verdes é a mais forte tendência hoje no mundo. Onde esse tipo de modelo de desenvolvimento foi aplicado, houve valorização imobiliária", afirma o arquiteto Nelson Lima Júnior (Unisanta). Atualmente, com base no texto preliminar do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) da Baixada Santista, Itaguaré está dividida em duas zonas. A parte próxima à foz do rio Itaguaré recebeu a classificação de Zona 1 (preservação permanente). O restante, a maior parte da área, a de Zona 4 (destinada para expansão urbana). Assim, se o texto da ZEE for aprovado dessa forma, permitirá a construção de residências e a consequente descaracterização da área. Animais endêmicos Estudos realizados ao longo dos últimos anos em Itaguaré indicam a presença de várias espécies de animais endêmicos, ou seja, que não existem em outro local. É o caso, por exemplo, de 13 espécies de anuros (rãs, sapos e pererecas), identificadas por cientistas da USP. A área também é habitat de cerca de 230 espécies de aves, muitas delas aquáticas, que nidificam ao longo dos 12,5 km de extensão do rio Itaguaré. Entre a avifauna, destaque para o tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus - espécie considerada como provavelmente extinta no estado de São Paulo, pela lista vermelha da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Também há registro da presença de jacarés-do-papo-amarelo, jaguatiricas, onças-pardas e onças-pintadas, entre outros mamíferos. edição 92 [17/02/2010 15:12 - bruno]
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