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Turismo
Assim, com a malemolência de quem vive à beira-mar, o caiçara Benedito dos Santos (foto), 56 anos, nascido e criado em Serraria, Ilhabela, revela os segredos da vida simples nas comunidades tradicionais.
Há muitos personagens como ele entre os 836 caiçaras das comunidades tradicionais, gente que se orgulha de ajudar a preservar 92% da mata nativa do arquipélago e a guardar um restinho de sua cultura. O modo simples de ser dessa gente é visível nas roupas, na culinária, cujos ingredientes principais são o peixe e a banana verde, no sotaque caipira-caiçara e nas letras de músicas folclóricas. O artesanato é feito de folhas de bananeira e taboa, fibras naturais que, tecidas com cuidado, dão origem a abajures, tapetes, cortinas, vasilhas, bandejas e outros utensílios domésticos, considerados verdadeiras obras de arte.
Comunidade de Serraria O acesso à Praia de Serraria, onde vive uma comunidade formada por 67 pessoas, é possível por meio de trilhas em meio à Mata Atlântica ou por mar. Esta opção possibilita vislumbrar a praia ao longe, um cenário de beleza impressionante, graças ao contraste entre o mar azul-esverdeado e o verde intenso das montanhas no entorno. De barco, à esquerda de quem chega à praia, destacam-se três casinhas brancas, com portas e janelas azuis. No centro, o único estabelecimento comercial da localidade, o Kioske Serraria, divide espaço com uma igrejinha. Atrás, a pequena escola e, à direita, um rancho de pescador animado pelo colorido das canoas, boias e outros objetos pendurados nas árvores da espécie chapéu-de-sol, que unem suas sombras às dos coqueiros. Assim que os moradores avistam a embarcação que chega, vão ao encontro dos visitantes em suas canoas artesanais, cunhadas em troncos de árvores centenárias, enormes. Os turistas são tratados como personalidades e recebem ajuda para desembarcar. Uma sensação inesquecível é pisar na areia fofa de Serraria e receber o frescor das pequenas ondas que quebram e formam uma espuma branca, que acaricia os pés. Família típica
Antes da festança na orla da praia, porém, o casamento civil em Ilhabela, para aonde seguiria um comboio de cerca de 20 canoas. Benedito explicou que festança como esta, só acontece uma vez por ano, em agosto, na festa do Senhor Bom Jesus, na qual comparecem moradores das outras comunidades, reunindo até 300 pessoas. Mas "festinha" sempre acontece em Serraria. Uma rede cheia de peixe já é motivo de comemoração. No dia a dia, Benedito, além de pescar, limpar os peixes e camarões, ajuda a mulher nos cuidados com a casa. O espírito comunitário, de companheirismo, cumplicidade e fraternidade é uma realidade vivida na comunidade. O jovem pescador Amarildo dos Santos, 19 anos, ajuda Benedito frequentemente. Um jovem sem preguiça que acorda bem cedo para ajudar a lançar as redes no mar, uma atividade coletiva. Ele explica que, quanto mais longe da costeira a rede for lançada, mais chance de pegar peixes grandes como as garoupas. Enquanto deixam as redes armadas em alto mar, os pescadores retornam para a costa para apanhar lulas. Durante o dia, ele e outros pescadores visitam o cerco de rede em mar alto, "aí é uma surpresa, quando tá vento de maré sul é bom", senão, deixam a noite passar e recolhem a rede no dia seguinte.
Serviço: as agências de turismo do arquipélago oferecem passeios para a maioria das 17 comunidades tradicionais de Ilhabela, entre elas: Serraria, Bonete, Praia Mansa, Castelhanos, Praia da Fome, Guanxumas, Ilha Vitória, Ilha de Búzios, Furnas, Jabaquara, Enxovas, Figueira, Saco do Sombrio, Indaiauba, Vermelha, Eustáquio e Pacuíba. edição 91 [27/01/2010 12:58 - bruno]
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