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FotoNatural
> Comportamento
| Banana-ouro, favo de mel ou dedo-de-moça? |

Sim, os três nomes remetem à mesma fruta, a menor de todas as variedades. Polpa doce, de sabor e cheiro agradáveis, a pequenina banana-ouro agrada tanto aos olhos quanto ao paladar. Muito comum no litoral paulista, a fruta é a base de sustentação para famílias de agricultores e vendedores ao longo das rodovias
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Alimento saudável e abundante no sertão de Ubatumirim |
| Texto e fotos: Bruna Vieira
Conhecida pelos paulistas como banana-ouro, é chamada de favo de mel pelos cariocas e dedo-de-moça pelos baianos. As plantações desta deliciosa fruta no litoral paulista concentram-se em Peruíbe, Boiçucanga, em São Sebastião, Ubatumirim, em Ubatuba e Parati, no Rio de Janeiro. Visitamos a comunidade de agricultores no sertão do Ubatumirim que, há sete gerações, sobrevive da agricultura da banana. São cerca de 120 famílias que vivem do cultivo da terra há mais de 100 anos. Plantavam café, depois passaram para a mandioca e agora bananas. A melhor época para colher a banana-ouro é no verão. A escolha dos cachos que estão 'no ponto' é feita manualmente. Com apenas um facão na mão, o agricultor corta os cachos e acumula-os nas costas até completar 15 unidades. O mais curioso é que as bananas não amassam. A principal dificuldade dos agricultores caiçaras de Ubatumirim é a comercialização. "Agora no verão, que as bananas estão boas, não temos pra quem vender. O problema são os atravessadores. Vendemos na feira da cidade, mas esta não consome nem metade do que produzimos. Se a banana passa do ponto, serve de adubo e alimentação de pássaros. Pra sustentar minha família, tenho que ficar no trabalho da marcenaria, mas gosto mesmo é da roça", relata o agricultor Neri Barbosa. A variedade de espécies de bananas plantadas no sertão de Ubatumirim é rica. Tem banana com formatos, cores e gostos distintos. Segundo Neri, as espécies são banana-prata, nanicão, meio pé, da terra, velhaca, vinagre, santo mé, agumichê, angola, naniquinha, figo, engana-menino, africana e outras. A técnica de plantar a banana foi repassada pelos antepassados. "Cada espécie tem um tempo diferente para engordar e ficar bonita. Usamos o sistema agro-florestal sem agrotóxico que preserva o meio ambiente. Misturamos as espécies de banana com plantações de mandioca, abóbora, inhame, feijão e outros. O maior perigo de roçar no meio da mata são as cobras", diz Neri Barbosa. Desde 2005, o bairro de Ubatumirim é considerado Zona Histórica, Cultural e Antropológica como consta no Plano de Manejo do Parque Estadual da Serra do Mar - Núcleo Picinguaba. Esta foi uma maneira de o Parque aceitar as comunidades caiçaras que vivem no local há sete gerações. Os moradores de Ubatumirim ainda usam a fibra da banana para produzir caixa de presente, jogo americano, chapéu, tapete, cestos, esteiras, bolsa, chinelos, entre outros objetos artesanais. O curso foi ministrado pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ubatuba. "Na segunda fase do curso, os moradores aprenderam a transformar a biomassa da banana verde em nhoque, mingau, geléia, brigadeiro, coxinha, entre outros alimentos", explicam o administrador Tadeu Mendes e a conselheira Nairdes Alves de Lima, do Sindicato.
Da roça para a estrada
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Agricultor carrega até 15 cachos de uma vez |
| Pelos caminhos que levam às cidades do litoral paulista é comum a venda de banana-ouro em barracas improvisadas na beira das estradas. Na Rodovia dos Tamoios, em Caraguatatuba, 14 barracas comercializam a fruta entre os quilômetros 79 a 81. Numa das barracas, Maria de Fátima Rodrigues de Souza há 26 anos divide com o marido o ofício de vender a fruta. Ela tem muita história para contar. Conseguiu sustentar seu filho, comprar casa, caminhão e fazer faculdade de pedagogia, tudo com o dinheiro da banana.
Preferência mundial Originária da Ásia, a banana é saboreada mundialmente. O Brasil é um dos maiores produtores e um dos maiores consumidores da fruta. Os tipos mais cultivados são a nanica, branca ou prata, da terra (ideal para cozinhar, assar ou fritar), maçã, São Tomé e banana-ouro. É uma fruta perfeita em vários sentidos. Desenvolve-se o ano inteiro, amadurece aos poucos, facilitando a colheita, o armazenamento e o transporte. Fácil de comer, não dá trabalho para descascar, possui textura macia, não tem sementes ou fiapos duros. Pela grande oferta, tem custo baixo, o que facilita seu consumo pelas populações mais carentes. Na Europa, a fruta é bastante valorizada e vendida por unidade. A vendedora, que preside a Associação de Vendedores de Banana da Rodovia dos Tamoios, dá dicas de culinária. "Como a banana-ouro já é doce, no caso de fazer compota, o açúcar deve ser usado em pouca quantidade. Deve-se picar a banana, colocar para ferver e retirar assim que começar a grudar na panela. O segredo é deixar o doce um dia na geladeira e no outro voltar a cozinhar, assim fica mais saboroso", ensina Maria de Fátima. "Também gosto de picar a banana e colocar no meio do feijão, dá um gostinho diferente. Há até farofa de banana-ouro torrada". Ela ainda usa a banana-ouro na salada e para fazer o 'azul marinho' - prato típico do litoral feito à base de peixe com banana verde.
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Fátima Rodrigues vive da venda de banana-ouro na Rod. Tamoios há 26 anos |
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As bananas são nutritivas, ricas em cálcio e potássio, elementos fundamentais para o desenvolvimento e bom funcionamento dos ossos, músculos e dentes. Além disso, contêm fibras, ideais para o sistema digestivo.
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